Por Geraldo de Majella*
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), mantém silêncio público há mais de seis meses. Essa ausência não é casual: sua longa permanência em Brasília está diretamente ligada à nomeação de sua tia, Marluce Caldas, ao cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A indicação, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi oficializada no Diário Oficial da União em 10 de julho de 2025. A escolha reflete o grau de articulação política que uniu figuras antes distantes: JHC (do PL, partido de Jair Bolsonaro), Lula, o senador Renan Calheiros (MDB) e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP).
Estratégia em silêncio
O apoio à tia no STJ exige de JHC uma postura calculada. Seu silêncio é uma tática: cada palavra mal colocada pode custar um voto na sabatina do Senado. Afastado de declarações polêmicas e da rotina administrativa de Maceió, o prefeito protege o processo de nomeação evitando desgastes com aliados e adversários.
A sabatina de Marluce ocorrerá entre 11 e 15 de agosto, sob relatoria do senador Fernando Farias (MDB AL). Embora geralmente simbólica, a etapa pode se complicar com a atuação de senadores do bloco bolsonarista, como Flávio Bolsonaro e Cleitinho. Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a indicação seguirá ao plenário, onde precisará de 41 votos.
A nomeação de Marluce é parte de um acordo político mais amplo. Segundo aliados, a saída de JHC do PL já está definida — assim como a migração da senadora Eudócia Caldas, mãe do prefeito, para a base do governo Lula. Mas tudo será formalizado apenas após a aprovação da nova ministra. Até lá, cautela e silêncio seguem sendo essenciais.
O comportamento de JHC não reflete medo, mas estratégia. Seu distanciamento é um movimento tático, de olho em novas alianças para 2026, com um possível realinhamento ao centro político. Mas o futuro depende de um único obstáculo: a sabatina. E como bem sabem os veteranos do Senado, cada gesto pode valer um voto.
*Historiador e jornalista





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