
Geraldo de Majella, Ênio Lins, Luciana Santana, José Thomaz Nonô, Claudionor Araújo, Moacir Rocha e José Costa. Foto: Assessoria
Num momento em que o Brasil enfrenta pressões internacionais e desafios à sua soberania, Alagoas tornou-se, nessa sexta-feira (1º), palco de um dos atos mais simbólicos e representativos em defesa da democracia desde o processo de redemocratização do país.
O evento, realizado no auditório do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Campus Centro de Maceió, celebrou os 40 anos da redemocratização com amplitude política, cultural e histórica inédita fora de Brasília.
Idealizado pelo vice-governador Ronaldo Lessa e pelo ex-deputado federal Régis Cavalcante (Cidadania), o ato foi articulado por uma comissão plural, formada por partidos políticos, movimentos sociais e universidades, com o objetivo de transformar a data em um verdadeiro marco cívico para o estado de Alagoas.

Deputado estadual Sílvio Camelo, ex-deputado José Costa e José Costa e o vice-governador Ronaldo Lessa. Foto: Assessoria
A programação teve início com a mesa “História, Política, Cultura e Democracia”, mediada por Moacir Rocha. O debate reuniu o historiador Geraldo de Majella, o jornalista Ênio Lins e a cientista política Luciana Santana. Majella destacou os impactos da ditadura de 1964 no país e, em especial, em Alagoas. Ênio Lins abordou o período de transição democrática, enquanto Luciana Santana refletiu sobre os desafios contemporâneos impostos pela polarização e pelo esvaziamento do debate público, apontando os riscos que esses fenômenos representam para a institucionalidade democrática.
O momento mais emocionante do evento veio com a participação dos ex-deputados constituintes José Costa e José Thomaz Nonô, além de Claudionor Araújo, que leu uma carta do ex-senador Teotônio Vilela Filho. Aos 89 anos, José Costa comoveu o público ao afirmar que se sentia “um homem agraciado por Deus” por ter participado da Constituinte de 1988 e ainda poder testemunhar, quatro décadas depois, um reencontro com aquela memória. Nonô relembrou o fervor das Diretas Já e a importância da juventude na mobilização popular. Já a carta de Teotônio Vilela reforçou a democracia como um valor que exige cuidado contínuo e participação cidadã.
Representaram Alagoas na Assembleia Nacional Constituinte os senadores Divaldo Suruagy, Guilherme Palmeira e Teotonio Vilela Filho, e os deputados Renan Calheiros, Roberto Torres, Geraldo Bulhões, Albérico Cordeiro, Vinícius Cansanção, José Thomaz Nonô, José Costa, Eduardo Bonfim e Antônio Ferreira.
O ato também foi marcado por homenagens póstumas a constituintes alagoanos já falecidos — Albérico Cordeiro, Antonio Ferreira, Guilherme Palmeira, Eduardo Bomfim, Geraldo Bulhões, Roberto Torres, Vinícius Cansanção e Divaldo Suruagy. Seus filhos, netos, irmãs e esposas receberam as comendas da Ordem do Mérito Constituinte de 1988 em uma cerimônia de forte simbolismo e reverência à memória dos que ajudaram a escrever a história democrática do Brasil.
Ronaldo Lessa destacou, em sua fala, que a democracia só se mantém viva quando é lembrada e debatida. “Queremos que esta data seja mais do que uma celebração. É um compromisso com a história e um alerta para o futuro. Só se constrói o amanhã conhecendo o ontem.”
Já Régis Cavalcante pontuou que o ato marca apenas o início de uma série de ações: “Vamos levar adiante a proposta de novas iniciativas, como uma mostra de vídeos sobre a ditadura no Centro Cultural Arte Pajuçara, para que a história não se apague e as novas gerações compreendam o valor da democracia.”
O evento foi encerrado sob aplausos, com uma convocação coletiva à resistência cívica. Ficou evidente que não se tratou apenas de uma comemoração, mas de um compromisso renovado com os ideais democráticos. Quarenta anos depois, a democracia brasileira segue em construção — e Alagoas mostrou ao país como a memória, quando valorizada e partilhada, é capaz de transformar o presente e fortalecer o futuro.






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