A Justiça dos Estados Unidos abriu um processo de recuperação de ativos que liga diretamente o influenciador e comentarista bolsonarista Paulo Figueiredo a um esquema de fraude comandado pelo magnata chinês Miles Guo, ex-sócio de Steve Bannon. O caso tramita no Tribunal de Falências de Connecticut, tendo como base a Lei de falências e créditos de Nova York.
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), US$ 140 mil (cerca de R$ 770 mil) foram transferidos de forma suspeita da empresa de Guo para a International Treasure Group, empresa de Figueiredo registrada na Flórida desde 2017. O pagamento é descrito no processo como parte de uma “manobra fraudulenta” para enganar credores de Guo.
Guo, que já foi condenado por crimes como lavagem de dinheiro e organização criminosa, teria utilizado empresas de fachada para movimentar e ocultar recursos — o que teria permitido o envio de valores a empresas ligadas a Figueiredo sem prestação de serviços real.
A ação foi protocolada em fevereiro de 2024, e Figueiredo foi notificado, mas não apresentou contestação no prazo estabelecido. O caso agora segue em trâmite à revelia, com mediador nomeado para encaminhar a disputa.
Enquanto isso, fontes internas da Gettr afirmam que Figueiredo participou dos esforços iniciais de lançamento da rede social, recrutando influenciadores para a plataforma. Sua atuação teria ocorrido em etapas anteriores à formalização da documentação da Gettr.
Procurado pela reportagem, o influenciador não se pronunciou sobre o processo nos EUA nem sobre outras ações judiciais em curso no Brasil. Ele reagiu às perguntas anteriores classificando-as como “babaquice” e dizendo: “Eu sei bem como lidar com gente assim”.
O caso demonstra como figuras com alto perfil midiático podem estar envolvidas em esquemas complexos de fraudes internacionais e direciona o foco da investigação ao uso de pessoas influentes como intermediários — direta ou indiretamente — em operações que visam mascarar movimentações financeiras ilícitas.
*Com Agência Pública







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