
Ana da Hora, Cícero Adriano, Eliene Cavalcanti, Ronaldo Lessa, Geraldo Vitorino e Elton Alex. Foto: Cortesia
O Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) sediou, na sexta-feira (12), a aula inaugural da 2ª edição da Residência Agrária em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial Sustentável, programa aprovado em 2023 e iniciado em 2025. A solenidade coincidiu com as comemorações dos 19 anos do campus, primeira unidade da Ufal no interior do estado, consolidada como referência acadêmica e de desenvolvimento regional.
O curso é resultado de uma parceria entre a Ufal, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera/Incra) e movimentos sociais, com apoio do deputado federal Paulão (PT). A abertura reuniu autoridades acadêmicas, políticas e representantes da sociedade civil, entre eles a vice-reitora Eliane Cavalcante, o diretor acadêmico Welton Oliveira, o coordenador Cícero Adriano, a vice-coordenadora Sandra Lira, sindicatos rurais de Arapiraca e Coité do Nóia, Fetag, MMC, MTC, CPT, MST, a Uneal, a Secretaria de Agricultura e o vice-governador de Alagoas, engenheiro Ronaldo Lessa.
Agroecologia e democracia
Coordenador da Residência, o professor doutor Cícero Adriano Vieira destacou que o programa une universidade e comunidades do campo, como assentamentos, quilombos e aldeias indígenas, na construção de um conhecimento popular aplicado à prática. Para ele, o curso representa “um dia histórico para a Reforma Agrária e a Agricultura Familiar de Alagoas”.
Em sua fala, defendeu um novo modelo de produção agrícola. “Agroecologia e Desenvolvimento Territorial Sustentável não são apenas palavras, são conceitos que trazem consigo mudança, transformação e futuro. Chega de monocultivos, agrotóxicos e sementes transgênicas. Precisamos de uma agricultura de pequena escala, diversificada, tecnificada e com respeito à biodiversidade, capaz de garantir soberania e segurança alimentar ao país”, afirmou.
Cícero Adriano também ressaltou que, em governos autoritários, iniciativas como a Residência não seriam viáveis. “Aqui será a casa de vocês pelos próximos dois anos”, disse aos estudantes, agradecendo à Ufal, ao Ifal, aos movimentos sociais e ao Pronera/Incra pelo financiamento da especialização. Representantes de sindicatos e organizações camponesas ressaltaram a importância da Residência na formação de filhos de assentados, camponeses, indígenas e quilombolas, vinculando a iniciativa à luta por democracia, soberania nacional e direitos sociais.
Compromisso institucional
A vice-reitora Eliane Cavalcante ressaltou que o curso reafirma o compromisso social e político da Ufal com populações historicamente excluídas, por meio do ensino, pesquisa e extensão. Já a professora Sandra Lira, vice-coordenadora, destacou a expectativa de que o governo estadual assuma políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à agroecologia. Ela lembrou que foi durante a gestão de Ronaldo Lessa no Executivo que foram criadas as universidades estaduais de Alagoas e informou que a Licenciatura Indígena da Uneal está representada na Residência, com egressos indígenas selecionados para a pós-graduação.
A representante da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Fernando Amorim, pontuou que a agroecologia vai além de práticas isoladas de conservação do solo, defendendo-a como ciência, prática e movimento. “É um conceito vinculado à justiça social, à justiça climática, ao combate às desigualdades e à promoção da igualdade de gênero e racial”, afirmou.
Contexto político
O vice-governador Ronaldo Lessa frisou que a democracia é condição para a realização de políticas públicas voltadas ao campo. Ele lembrou o impacto da ditadura militar, marcada por censura, perseguição, tortura e assassinatos, e celebrou a vitória recente contra tentativas de golpe no país. “Só na democracia é possível lutar por direitos e justiça social sem ser perseguido”, declarou.
Lessa ainda destacou o papel estratégico da universidade pública para o desenvolvimento de Alagoas, especialmente do Agreste, e comprometeu-se a dialogar com a bancada de deputados e senadores para garantir emendas ao Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Ufal.






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