A Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos recebe, desde o último dia 1º de setembro, a exposição “Lacuna: Sismografia de Memórias”, um encontro entre arte, memória e resistência diante do maior desastre socioambiental de Maceió: o afundamento dos bairros provocado pela mineração da Braskem.
Com curadoria de Kelcy Ferreira e recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Ministério da Cultura (Minc) e da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), a mostra se consolida como marco de criação coletiva e compromisso com a preservação da memória.
As obras carregam marcas da dor e da ausência, mas também revelam permanência e reinvenção. O artista Germano Munganga reorganiza caos e cor em novas expressões de vida. O maceioense Diego Barros, morador do Pinheiro, mergulha em espiritualidade e memória em sua produção multidisciplinar. Emerson Anun, ex-morador do Bebedouro, expõe “Enquanto Eu Dormia”, lambe-lambe e zine que traduzem a angústia da perda. Pierre D’Almeida, educador e ex-morador do Pinheiro, apresenta criação interativa com teatro e bonecos. Já Pedro Carvalho, artista multimídia, traz a porta de seu antigo estúdio no Pinheiro, peça simbólica carregada de histórias e cicatrizes.
“Eu fui um dos últimos moradores a sair de lá, saí com muita tristeza. Essa obra representa um pouco de como me senti nesse processo. Por essa porta passaram muitos artistas e muita arte. Ela está marcada por sangue, por ganância…”, relata Pedro.
Mais do que uma mostra, “Lacuna: Sismografia de Memórias” é um grito coletivo que transforma silêncio em diálogo, reafirmando a potência da arte alagoana como espaço de memória, denúncia e elaboração do trauma.
Serviço
Exposição: Lacuna: Sismografia de Memórias
Período: 1º a 30 de setembro de 2025
Local: Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos — Praça São Pedro, Centro, Maceió/AL
Curadoria: Kelcy Ferreira
Artistas: Germano Munganga, Diego Barros, Pierre D’Almeida, Emerson Anun e Pedro Carvalho
Entrada: Gratuita







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