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Empresa de irmão de Ciro Nogueira dividiu endereço com posto investigado enquanto outra de seu grupo recebeu R$ 63,9 mil

por | 6 nov, 2025

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Ciro Nogueira | Divulgação

Em meio à deflagração da Operação Carbono Oculto 86 pela Polícia Civil do Piauí, dois fatos envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) chamam atenção dos investigadores: por um lado, a empresa de seu irmão aparece registrada no mesmo endereço de um posto de combustíveis alvo da operação. Por outro, uma empresa ligada ao próprio senador recebeu R$ 63,9 mil de um dos postos investigados, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A investigação revela que a empresa do irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Nogueira, registrada sob CNPJ na Avenida João XXIII, nº 4677, bairro Santa Isabel, em Teresina (PI), dividiu esse endereço por cerca de um ano e meio com a empresa HD Petróleo Uruguai – integrante da rede de postos investigada por suspeita de lavagem de dinheiro e fraude no setor de combustíveis. O relatório aponta que essa “sobreposição de registro ou compartilhamento de estrutura física entre diferentes pessoas jurídicas” é “prática típica de lavagem de capitais”.

Raimundo Nogueira | Reprodução

Ainda de acordo com documentos obtidos pelo ICL Notícias, a empresa Ciro Nogueira Agropecuária Imóveis – ligada ao senador – recebeu duas transferências de R$ 47,9 mil e R$ 15,9 mil, em 2 de maio e 17 de abril de 2025, respectivamente, totalizando R$ 63,9 mil. O remetente foi o posto Pima Energia Amizade (antiga rede do posto alvo), com transações realizadas via fintech BK Instituição de Pagamento — apontada como peça-chave em esquema de lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Foto: Divulgação

O senador ainda não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre esses fatos. No caso do irmão, Raimundo Nogueira também não se manifestou. Entretanto, em outra ocasião, Ciro Nogueira respondeu com ironia: “A única coisa que tenho a dizer é que fiquei impressionado de vocês conseguirem divulgar a operação antes dela acontecer kkkk. Na próxima sincronizem direito com quem contratou vocês.”

As duas ocorrências ocorrem no contexto de uma investigação que interditou 49 postos de combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins, denunciando manipulação de empresas de fachada, fintechs e fundos de investimento como instrumentos de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

Especialistas ouvidos afirmam que a combinação desses dois fatos — o compartilhamento de endereço entre empresa familiar e empresa investigada e o repasse financeiro a uma empresa ligada ao senador — eleva o grau de complexidade e poderia indicar que as conexões vão além de mera coincidência ou relação indireta. Ainda que não haja acusação formal contra Ciro Nogueira ou seu irmão no momento, os elementos reforçam o alerta sobre possíveis interseções entre política, negócios familiares e crime organizado.

A Polícia Civil e demais órgãos responsáveis prometem dar continuidade às apurações e cruzar dados de movimentações financeiras, contratos, registros societários e endereços. A expectativa é de que quebras de sigilo bancário e fiscal entrem na próxima fase. Se forem confirmados indícios suficientes, poderá haver abertura de inquérito para investigar a participação formal de pessoas vinculadas ao senador ou à sua estrutura.

Fica em aberto agora se Ciro Nogueira apresentará defesa ou explicações formais sobre essas situações ou se haverá requisição de documentos por parte das autoridades.

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