O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) manifestou indignação diante do acordo firmado entre o Estado de Alagoas e a Braskem, no valor de R$ 1,2 bilhão. A entidade afirmou que o mesmo Estado que declarava compromisso com as vítimas e havia criado uma comissão para tratar do crime da mineradora, agora repete o modelo excludente adotado pela Prefeitura de Maceió.
Segundo o MUVB, o acordo foi construído sem a participação das vítimas e representa uma transformação de um desastre humano e ambiental em “simples transação financeira e política”. O movimento destacou a diferença entre os R$ 30 bilhões estimados pelo próprio Estado e o valor final de R$ 1,2 bilhão, questionando os critérios adotados. Para o movimento, o entendimento firmado significa “renúncia de direitos coletivos”, sem debate público, transparência ou respeito aos atingidos.
Em nota, o MUVB afirmou que o povo de Maceió “ainda espera reparação integral e indenizações justas” e que os atingidos “foram novamente excluídos”.
O Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) também se posicionou contra o acordo de R$ 1,2 bilhão, que, segundo a entidade, garante quitação integral à Braskem pelos danos causados pelo que governo e empresa chamam de “evento geológico”. O MAM classificou o caso como “o maior crime socioambiental em área urbana do mundo” e afirmou que nenhum acordo deveria ser assinado antes da execução de uma matriz de danos completa.
O movimento destacou que as vítimas foram novamente deixadas fora das negociações e que o valor firmado ocorre “em um momento nitidamente estratégico para interesses eleitorais”. A nota afirma que as famílias atingidas continuam arcando com as consequências do crime, enfrentando violação de direitos, perda de lares, memórias e o agravamento do adoecimento físico e mental.
O MAM cita comunidades como Flexais, Quebradas, Marquês de Abrantes, Vila Saem e Bom Parto como exemplos de territórios que permanecem fora do mapa oficial da Defesa Civil. A entidade conclui reafirmando que seguirá na luta até que haja justiça e reparação integral para os atingidos e responsabilização da empresa.






0 comentários