O estado de Alagoas desponta como um raro exemplo de avanço ambiental no Nordeste brasileiro. Segundo relatório do Centro de Liderança Pública (CLP), que utilizou dados do MapBiomas e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alagoas alcançou o menor índice de desmatamento entre as unidades federativas da região — uma proporção de apenas 0,1 % da sua área total.
Essa taxa coloca Alagoas também na 13.ª posição no ranking nacional entre os 27 estados.
O indicador adotado considera a razão entre a área desmatada e a extensão geográfica de cada estado — método que responde à necessidade de avaliar proporcionalmente o impacto do desmatamento em cada território.
Além desse resultado positivo, o estudo aponta outros avanços no âmbito ambiental. No indicador que relaciona emissões brutas de CO₂ menos remoções, dividido pelo PIB, Alagoas subiu três posições, atingindo 2.º lugar no Nordeste e 11.º no Brasil.
Uma das políticas que impulsionam essas estatísticas é a denominada “Política de Prioridade no Abastecimento de Veículos Automotores com Etanol”, decretada em setembro pelo governador Paulo Dantas. O programa visa substituir gradualmente a gasolina por etanol na frota do Executivo estadual, promovendo a transição energética e diminuindo a poluição atmosférica.
No campo da gestão de resíduos sólidos, Alagoas também se destaca: ampliou a cobertura da coleta seletiva domiciliar em áreas urbanas e ocupa hoje a 2.ª posição no Nordeste, atrás apenas de Sergipe.
Durante a 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), realizada em Belém (PA), o Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL) apresentou duas iniciativas que corroboram esse desempenho: o programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) — que remunera agricultores familiares e donos de áreas conservadas — e o “Selo Alagoas pelo Clima”, voltado a reconhecer práticas empresariais de ESG e redução de emissões.
Os valores para o PSA variam entre R$ 5 mil e R$ 30 mil para projetos de agroecologia, e R$ 20 mil a R$ 80 mil para iniciativas associadas a Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
Especialistas apontam que o resultado é fruto da combinação entre políticas públicas, fiscalização ampliada e incentivos à gestão ambiental, mas alertam que os desafios persistem — sobretudo em biomas sensíveis como a Caatinga, que cobre parte do território alagoano, onde a regularização ambiental e a prevenção de desmatamento ainda demandam atenção.
A parceria firmada entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e municípios locais visa intensificar a regularização florestal, monitoramento remoto e capacitação técnica para produtores rurais.
Com os avanços, Alagoas consolida-se como um Estado que alia preservação ambiental a políticas de desenvolvimento sustentável — um caminho que pode inspirar outras unidades da federação. No entanto, autoridades e sociedade sabem que manter esse índice exige vigilância constante, combate ao desmatamento ilegal e ampliação dos mecanismos de proteção à vegetação nativa.
Enquanto o mundo debate soluções para a crise climática, o desempenho de Alagoas representa não apenas um dado estatístico, mas uma demonstração de que políticas integradas, quando bem implementadas, podem gerar resultados concretos. Ainda que o caminho seja longo, o estado dá sinais de que está no rumo certo para equilibrar conservação ambiental e progresso.






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