A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central na terça-feira (18), abriu uma nova crise na gestão financeira da Prefeitura de Maceió. Embora o Maceió Previdência tenha divulgado nota afirmando que “os pagamentos aos aposentados e pensionistas estão absolutamente garantidos”, a própria comunicação oficial confirma que uma fatia significativa dos recursos — 12,04% do patrimônio total de R$ 1,4 bilhão — foi aplicada em fundos ligados ao conglomerado hoje liquidado.
Segundo informações já divulgadas e reconhecidas pelo próprio IPREV, o prefeito João Henrique Caldas (JHC) autorizou a aplicação de R$ 117,9 milhões em letras financeiras do Banco Master e outros R$ 51,48 milhões em cotas do fundo Nest Eagle, totalizando R$ 168,5 milhões investidos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), portanto sem proteção em caso de falência — exatamente o cenário que se concretizou.
A nota do Maceió Previdência enfatiza que, à época da aplicação, o Banco Master estava habilitado pelo Banco Central e pelo Ministério da Previdência, e contava com grau de investimento reconhecido por agência de risco. No entanto, o texto não explica por que a prefeitura optou por aplicar recursos previdenciários em operações classificadas como de alto risco e sem qualquer garantia de ressarcimento, caso a instituição viesse a ser liquidada, como de fato ocorreu.
A ausência de esclarecimentos aumenta a inquietação entre servidores, aposentados e pensionistas, que têm direito de saber onde, por que e sob quais critérios técnicos seus recursos foram investidos. A gestão afirma que busca informações junto ao Banco Central sobre o processo de devolução dos valores, mas não detalha prazos nem perspectivas reais de recuperação dos montantes aplicados.
Enquanto isso, permanece sem resposta a pergunta central que ecoa na Câmara Municipal e nas redes sociais:
qual o interesse da Prefeitura em direcionar R$ 168,5 milhões para operações de alto risco sem garantias?
O silêncio do prefeito também chama atenção. Conhecido pela intensa atividade nas redes sociais, JHC não se pronuncia publicamente desde a primeira fase da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investiga movimentações financeiras envolvendo bancos e fundos atuantes no mercado — entre eles, o Banco Master.
A crise deve se aprofundar na Câmara Municipal, onde apenas os vereadores Rui Palmeira (PSD) e Teca Nelma (PT) têm cobrado explicações formais sobre o destino e a segurança dos recursos previdenciários da cidade. Já o líder do governo, Kelman Vieira (MDB), também permanece em silêncio diante da liquidação do Banco Master, instituição investigada por atuar como centro de lavagem de dinheiro do PCC.







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