O governo de Alagoas criou uma delegacia especializada para lidar com crimes motivados por intolerância religiosa — a Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis Yalorixá Tia Marcelina — o que levou a um aumento expressivo nas denúncias: segundo dados da Polícia Civil, os casos quase triplicaram, saindo de 9 em 2022 para 29 em 2024. A informação consta em reportagem publicada no site oficial do Estado.
De acordo com o governo estadual, a unidade policial foi concebida para dar atendimento humanizado, contando com equipe multidisciplinar formada por policiais, psicólogos e assistentes sociais. A delegada Rebeca Cordeiro destaca que a delegacia “foi criada justamente para oferecer um espaço seguro onde pessoas de religiões de matriz africana se sintam vistas e respeitadas”, e que o volume crescente de denúncias revela que as vítimas começaram a confiar mais nas instituições.
O aumento no número de registros também é interpretado como um avanço institucional. Antes da criação da delegacia, denúncias desse tipo eram raras: muitas vítimas relatavam medo, desamparo ou desconhecimento sobre a quem recorrer. Agora, segundo o governo, a presença estadual reforça a proteção da liberdade de crença e reafirma o compromisso com a inclusão religiosa.
Além disso, o Estado ampliou a rede de proteção em parceria com secretarias de Direitos Humanos e organizações da sociedade civil para promover ações de educação, prevenção e combate à desinformação religiosa — apontada como uma das principais fontes de preconceito. A iniciativa simboliza a importância de transformar o silêncio em denúncia e de valorizar o respeito à fé e à pluralidade religiosa.






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