A Associação de Moradores dos Conjuntos Residenciais Jacarecica I e II (AMORJAC), o Observatório Ambiental Alagoas, o Instituto Salsa-de-praia e outros coletivos socioambientais denunciaram uma série de intervenções irregulares que estariam desfigurando a foz do Rio Jacarecica, em Maceió.
Segundo as entidades, obras e aterros ligados ao empreendimento Beachgarden Jacarecica teriam forçado o rio a sair de seu curso natural. Com isso, o Jacarecica passou a escoar cerca de 1.400 metros distante de sua foz original, uma mudança considerada artificial e sem precedentes históricos para o sistema fluvial da região.
De acordo com as denúncias, a alteração no trajeto do rio vem provocando graves impactos ambientais, como erosão intensa das margens, colapso de barrancos e avanço do curso d’água sobre áreas de restinga, ecossistema protegido por lei. Também foi identificada a supressão irregular de vegetação nativa, fundamental para a estabilidade do solo e a proteção da zona costeira.
Laudos técnicos recentes apontam ainda alterações na coloração da água e manchas na foz do rio, o que indica possível contaminação hídrica.
Outro ponto destacado pelas entidades é o risco à fauna marinha. A Praia de Jacarecica é área de desova monitorada pelo Instituto Biota e funciona como berçário natural da tartaruga-de-pente, espécie criticamente ameaçada de extinção. Segundo os coletivos, a mudança artificial do curso do rio e a destruição da restinga comprometem diretamente as áreas de nidificação e afetam a saúde das tartarugas que utilizam a região para alimentação.
Além dos impactos ambientais, as entidades alertam para riscos climáticos e sociais. A restinga atua como uma barreira natural contra o avanço do mar e eventos extremos. Sua degradação, somada à alteração do curso do rio, aumenta a vulnerabilidade da região a inundações e instabilidades do terreno. Estudos da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) já indicavam pressões da urbanização sobre a bacia do Jacarecica, cenário que teria se agravado com as intervenções recentes.
Diante da situação, as entidades cobram ação imediata do poder público. Entre os pedidos estão a reabertura urgente da foz original do Rio Jacarecica, a realização de vistorias técnicas, o embargo de obras e aterros, a apuração de responsabilidades dos envolvidos no empreendimento e a elaboração de um laudo técnico independente.
Os coletivos afirmam que as intervenções configuram violação ao Código Florestal e à Política Nacional do Meio Ambiente e defendem a responsabilização rigorosa dos proprietários das áreas aterradas e dos agentes envolvidos.






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