A primeira avaliação feita dentro do governo brasileiro é de que o projeto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a criação de um chamado “Conselho da Paz” é considerado “péssimo”, com potencial de abalar de forma permanente o multilateralismo e deixar a Organização das Nações Unidas (ONU) em uma situação praticamente inviável. As informações são da coluna do jornalista Jamil Chade, no ICL Notícias.
O ICL Notícias revelou no sábado, com exclusividade, que Trump convidou o Brasil para integrar a iniciativa. Já nesse domingo (18), a reportagem trouxe a íntegra do texto do projeto, ampliando a preocupação de diplomatas brasileiros com os impactos da proposta no cenário internacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não deu uma resposta formal aos americanos. No Palácio do Planalto, a posição oficial é de que a proposta segue em análise. Nos bastidores, porém, diplomatas experientes e negociadores que atuam ou já atuaram em fóruns multilaterais alertam que o Brasil deveria se recusar a participar da iniciativa.
Entre os principais pontos de preocupação está o poder concentrado nas mãos de Trump. Pelo desenho do projeto, o presidente norte-americano teria a palavra final sobre todas as decisões do órgão, mesmo com a previsão de voto dos países membros, o que, na prática, funcionaria como um veto exercido por um único governo.
Outro aspecto visto com ressalvas é o desequilíbrio estrutural do conselho. Não há qualquer garantia de representatividade regional ou de participação de países em desenvolvimento, além da definição de apenas uma língua oficial, o inglês, o que aprofundaria assimetrias já existentes no sistema internacional.
Também há dúvidas sobre o destino dos recursos financeiros. O texto não esclarece como seriam administrados os aportes feitos pelos governos participantes, aumentando a insegurança sobre transparência e controle.
Um dos pontos mais sensíveis diz respeito ao acesso ao órgão. A proposta prevê que uma vaga permanente dependeria do pagamento de US$ 1 bilhão, substituindo critérios de legitimidade política por capacidade financeira, o que, para o governo Lula, esvazia qualquer noção de justiça ou equilíbrio diplomático.
Por fim, a avaliação é de que o conselho não estaria fundamentado no direito internacional nem em princípios como soberania ou integridade territorial. Na prática, segundo o entendimento no Planalto, isso poderia abrir caminho para que o órgão fosse usado para justificar ou legitimar ações militares e invasões, em confronto direto com as bases que regem a ONU desde o pós-guerra.






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