O Banco de Brasília (BRB) passou a gerir a folha de pagamento dos servidores da Prefeitura de Maceió pelos próximos cinco anos. A mudança é resultado de licitação promovida pelo município e foi anunciada em 4 de julho de 2025. Cerca de 26 mil servidores passaram a receber seus salários pelo banco a partir do mês de outubro.
O BRB já atuava em Alagoas desde dezembro de 2024, com o pagamento de alvarás judiciais e o processamento da folha dos servidores do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL). À época do anúncio, o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, afirmou que a operação ampliaria a atuação do BRB no Nordeste. Paulo Henrique Costa foi exonerado do cargo quando estourou o escândalo envolvendo o Banco Master.
Contas obrigatórias e imposição aos servidores
Com a mudança, todos os servidores da Prefeitura de Maceió — efetivos, comissionados, aposentados e pensionistas além dos temporários e estagiários — foram obrigados a abrir conta no BRB para o recebimento dos salários. Em novembro de 2025, a própria Prefeitura informou que mais de três mil servidores ainda não haviam realizado o procedimento.
A obrigatoriedade levantou questionamentos entre os servidores, que passaram a se perguntar quais vantagens efetivas tiveram ao serem compelidos a migrar para um banco estatal do Distrito Federal, sem agência física em Maceió.
Iprev e aplicações de alto risco
Ao mesmo tempo, o Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (Iprev) passou a ocupar o centro de um grande escândalo após a aplicação de R$ 168,5 milhões em operações consideradas de alto risco. Desse total, R$ 51,48 milhões foram aplicados no Nest Eagle Fundo de Investimento Imobiliário, enquanto cerca de R$ 117 milhões foram direcionados a fundos e operações vinculadas ao Banco Master.
A operação foi classificada por sindicalistas e parlamentares da Câmara Municipal como uma “caixa-preta”, em razão da falta de transparência.
O vereador Rui Palmeira (PSD) denunciou que a consultoria responsável por orientar os investimentos do Iprev tem como CEO uma pessoa condenada pela Justiça Federal por gestão temerária em outro caso, o que ampliou as dúvidas sobre a condução das aplicações.
A Polícia Federal investiga as relações entre fundos administrados pelo Banco Master e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O que a gestão JHC não quer que a população saiba
As críticas apontam que operações financeiras realizadas pela Prefeitura de Maceió, por meio do Iprev, colocaram em risco o futuro de servidores ativos, aposentados e pensionistas. Segundo as normas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os recursos estariam fora de qualquer garantia, e o prejuízo estimado seria de R$ 116,75 milhões.
Também está no centro do debate o envolvimento do Banco Master e do BRB, citados como protagonistas de um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional. Segundo as denúncias, esse conjunto de fatos — aplicações de alto risco, falta de transparência — é o que o prefeito João Henrique Caldas (JHC) não quer que a população de Maceió saiba.
Até o momento, o prefeito não se pronunciou publicamente sobre o caso.
Denúncias de censura à imprensa
As críticas à administração municipal incluem ainda denúncias de censura à imprensa. O prefeito teria tentado abafar o escândalo. Um dos episódios recentes envolve um processo judicial que impôs censura prévia à jornalista Bleine Oliveira, profissional reconhecida no jornalismo alagoano, determinando a retirada, de sua página no Instagram, de um vídeo no qual a jornalista abordava o tema IPREV e Banco Master. A decisão judicial estabelece que a jornalista não pode mencionar o nome do prefeito, do IPREV e do Banco Master.







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