O ano de 2026 começa com o orçamento apertado para a maioria dos moradores de Maceió. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apontam que 81,35% das famílias da capital alagoana estão endividadas em janeiro. O levantamento é do Instituto Fecomércio AL, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O percentual representa um aumento de 4,2 pontos percentuais em relação a dezembro e de 3,55 pontos na comparação anual. O resultado reflete um cenário típico do início do ano, marcado por despesas concentradas e menor fôlego financeiro das famílias.
De acordo com o assessor econômico do Instituto Fecomércio AL, Lucas Sorgato, janeiro é historicamente um mês de reorganização das finanças domésticas. “É um período com forte concentração de gastos obrigatórios, como impostos, material escolar e mensalidades educacionais, além da ausência de rendas extras comuns em dezembro”, explica.
A pesquisa também indica que o crédito voltou a ter papel central no orçamento das famílias. Para o economista, o movimento rompe a estabilidade observada no fim de 2025 e mostra que o endividamento está sendo usado não apenas para consumo, mas como alternativa para absorver despesas concentradas e recompor a liquidez.
Apesar do avanço no endividamento, a inadimplência apresentou queda. Em janeiro, 30,3% das famílias estavam com contas em atraso, percentual inferior ao registrado no mês anterior. Segundo Sorgato, o dado indica que o crescimento das dívidas ocorreu, principalmente, por meio de novos compromissos ainda dentro do prazo de pagamento.
Para o comércio, o cenário traz um alívio momentâneo, ao reduzir o risco imediato de calote. No entanto, o economista alerta para a possibilidade de transferência desse risco para os próximos meses, caso a renda das famílias não acompanhe o aumento das obrigações financeiras.
Outro ponto de atenção é o superendividamento. Cerca de 8% das famílias afirmam não ter condições de pagar suas dívidas, índice que chega a 9,4% entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos. Nessa faixa, o endividamento ultrapassa 82%, enquanto nas famílias de renda mais alta o percentual cai para 72%.
As contas em atraso também se concentram nas famílias de menor renda, alcançando 32,1%, contra apenas 6,1% entre aquelas com rendimentos mais elevados. O cartão de crédito segue como principal vilão, respondendo por 91,14% das dívidas. Em seguida aparecem carnês, crédito pessoal e financiamentos de veículos e imóveis.
Diante desse cenário, a orientação para o setor de comércio e serviços é de cautela. “Vender a prazo continua sendo importante, mas é fundamental acompanhar a capacidade de pagamento das famílias, incentivar renegociações e evitar excesso de crédito logo no primeiro trimestre”, reforça Sorgato.






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