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Onda reacionária avança sobre escolas públicas e São Paulo abre 2026 com 100 unidades cívico-militares

por | 22 fev, 2026

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Foto: Divulgação

O ano letivo de 2026 começou com uma guinada na rede estadual paulista: 100 escolas passaram a operar no modelo cívico-militar, em que militares da reserva assumem funções ligadas à disciplina dos estudantes. A proposta, defendida por governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo), também está presente em estados administrados por partidos de esquerda, como Bahia e Maranhão, ampliando o alcance nacional da política.

Para o professor Fernando Cássio, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), o fenômeno precisa ser observado além dos casos isolados que ganham repercussão. Segundo ele, há muitos relatos sobre o cotidiano interno dessas escolas, mas faltam dados consolidados sobre os efeitos da militarização nos sistemas de ensino, especialmente em municípios menores e no acesso à escola pública.

O pesquisador diferencia as escolas militares tradicionais — mantidas pelas Forças Armadas ou forças auxiliares e que somam 94 unidades no país — das escolas militarizadas, que já ultrapassam 1,5 mil unidades. Estas incluem colégios da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e as chamadas cívico-militares. Embora financiadas pelas secretarias estaduais, transferem parte da gestão ou da disciplina a militares, configurando um modelo distinto e em rápida expansão.

A ausência de transparência, afirma Cássio, impede a verificação da tese de que o modelo melhora indicadores educacionais, como o IDEB. Não há levantamento público detalhado sobre quais escolas foram convertidas, onde estão localizadas, quem são os profissionais envolvidos e como se distribuem os recursos, o que dificulta avaliações independentes.

A expansão coincide com o calendário eleitoral. Em 2026, além das 100 unidades em São Paulo, Mato Grosso projeta converter outras 100 escolas; o Paraná ampliou em 50 e o Maranhão adicionou 80 ao modelo. Para o professor, o avanço costuma se intensificar em anos de disputa política.

Em São Paulo, 72 das 100 escolas escolhidas são de tempo integral e atendem, em geral, estudantes menos vulneráveis. Apenas duas ficam na capital; a maioria está no interior. Na avaliação do pesquisador, a seleção reflete critérios políticos mais do que pedagógicos.

Cássio também critica a adesão de governos progressistas ao modelo. Para ele, a militarização tem sido utilizada como instrumento de articulação local, mas contribui para naturalizar a presença militar na vida escolar e reforçar valores autoritários no ambiente educacional.

Quanto à disciplina, o professor contesta a ideia de que o controle militar seja solução estrutural. Ele argumenta que o enfrentamento da indisciplina passa por investimento em infraestrutura, políticas de permanência e apoio aos estudantes mais vulneráveis — e não pela adoção do medo como ferramenta pedagógica.

Com crescimento acelerado e apoio que atravessa o espectro político, a militarização das escolas públicas se consolida como fenômeno nacional, alimentando um debate que vai além da segurança e alcança o projeto de educação em disputa no país.

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