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Vice-líder do Centrão é acusado de usar fundo partidário para financiar perfis falsos nas redes

por | 7 abr, 2026

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Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Uma investigação da Agência Pública revelou que o deputado federal Alex Manente, vice-líder do Centrão na Câmara, teria financiado uma rede de perfis falsos nas redes sociais com recursos do fundo partidário. Segundo a reportagem, assinada pelo jornalista Dyepeson Martins, os perfis eram utilizados para atacar adversários políticos, o governo federal e até integrantes do próprio partido.

De acordo com documentos e conversas obtidas pela investigação, pelo menos 20 contas inautênticas foram operadas de forma coordenada por uma equipe ligada ao parlamentar. A estratégia incluía inflar o engajamento de publicações e disseminar críticas direcionadas, especialmente contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos exemplos citados envolve o perfil “Lene Aparecida”, que criticava um dos rivais de Manente na disputa interna do Cidadania. A conta, no entanto, era falsa e fazia parte de uma estrutura maior de atuação digital. A reportagem aponta que os conteúdos eram previamente orientados pelo gabinete do deputado, com mensagens prontas e direcionamento de tom.

Reprodução

A operação, segundo a Pública, era executada por uma mulher de 27 anos, residente em Balneário Camboriú (SC), contratada para gerenciar os perfis. Ela recebia cerca de R$ 2,5 mil mensais por meio do diretório municipal do partido em São Bernardo do Campo (SP), reduto político de Manente.

As ações eram organizadas em um grupo de mensagens chamado “Guerrilha”, onde eram repassadas instruções como: “Pode comentar no sentido de criticar o governo, comentários curtos. ‘Desgoverno falindo o país’”. O objetivo, segundo a apuração, era criar uma falsa percepção de apoio popular e indignação nas redes.

Além das disputas internas do Cidadania, os perfis também atuavam em pautas nacionais. Publicações sobre economia e saúde, por exemplo, eram rapidamente seguidas por comentários críticos ao governo, simulando reações espontâneas de usuários.

Arte com reprodução dos diálogos a partir dos prints originais de WhatsApp | Reprodução/Agência Pública

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o uso de recursos públicos para financiar esse tipo de atividade pode configurar irregularidades. O jurista Walber Agra afirmou que a prática pode ser enquadrada como “propaganda ilícita”, além de levantar possíveis crimes eleitorais. “Isso é uma ilegalidade e pode propiciar o cometimento de crimes eleitorais”, disse.

Procurado pela reportagem, Alex Manente não respondeu aos questionamentos até a publicação. O caso também foi encaminhado ao Cidadania e à Câmara dos Deputados.

A denúncia surge em meio a uma crise interna no partido, que vive uma disputa judicial pelo comando nacional após a realização de congressos paralelos que elegeram dois presidentes. O episódio amplia o debate sobre o uso de recursos públicos e a atuação de redes de desinformação às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

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