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Em entrevista ao portal JOTA, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, fez um duro alerta sobre as condições de trabalho enfrentadas por entregadores de aplicativos no país. Após um encontro com trabalhadores da categoria, ele afirmou ter ficado “chocado” com o nível de insegurança e comparou a rotina desses profissionais a um cenário de guerra.
“É como se estivessem indo para uma batalha em Gaza”, declarou o ministro, ao descrever o cotidiano dos motoboys, marcado por riscos constantes e ausência de garantias mínimas de proteção.
A comparação, forte e simbólica, busca dimensionar a gravidade da situação. Segundo o presidente do TST, os entregadores vivem sob pressão diária, sem saber se retornarão para casa ao fim do expediente. “Eles não sabem se voltam para casa no dia seguinte”, afirmou.
Os números reforçam o alerta e revelam um quadro considerado dramático:
• 13.477 motoboys mortos apenas em 2024
• 36 mil mortes nos últimos três anos
Os dados evidenciam uma realidade brutal: o crescimento do trabalho por aplicativos, sem a correspondente regulamentação, tem exposto milhares de trabalhadores a condições extremas de vulnerabilidade.
Para o ministro, o problema vai além da informalidade. Trata-se de uma estrutura de trabalho que transfere todos os riscos para o trabalhador, sem oferecer proteção social, segurança adequada ou perspectiva de futuro. A ausência de regras claras, segundo ele, contribui para a naturalização de um cenário de mortes evitáveis.
A fala de Luiz Philippe Vieira de Mello Filho recoloca no centro do debate a urgência da regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil. Para especialistas e autoridades, garantir direitos básicos, condições seguras de trabalho e mecanismos de proteção não é apenas uma questão econômica — é uma medida de preservação da vida.
Diante desse quadro, a questão que emerge é direta: até que ponto o modelo atual de trabalho está sendo sustentado à custa da vida dos trabalhadores?
A resposta, cada vez mais, aponta para a necessidade de ação. Regulamentar, nesse contexto, deixa de ser uma opção e passa a ser um imperativo. Ignorar os números é, na prática, aceitar a continuidade de uma tragédia anunciada.
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