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Acabou a zona de conforto de JHC: PF, Vorcaro e Renan Calheiros no encalço 

por | 14 maio, 2026

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Por Geraldo de Majella*

O ex-prefeito de Maceió, JHC, chega ao cenário pré-eleitoral de 2026 carregando um traço que o acompanha desde o início da carreira: a dificuldade — ou a opção deliberada — de construir um grupo político sólido ao seu redor. Sem partido sob seu comando e sem uma base orgânica consolidada, JHC se move como um nômade partidário, apostando mais na força da imagem pessoal e das redes sociais do que nas estruturas tradicionais da política.

O estilo outsider moldou sua trajetória. Diferentemente de lideranças apoiadas em alianças municipais, quadros partidários e articulações permanentes com prefeitos e vereadores, JHC sempre demonstrou pouco interesse por esse tipo de engrenagem. Integrante de uma geração formada no ambiente digital, concentrou suas energias na comunicação direta pelas redes sociais.

Outro traço marcante de seu perfil político é a centralização. Interlocutores e adversários afirmam que as decisões sempre estiveram concentradas em torno do próprio ex-prefeito, sem espaço para a formação de um núcleo político capaz de sustentá-lo em momentos de crise.

Até agora, JHC conseguiu surfar na força da comunicação digital. Porém, o cenário começou a mudar após a explosão do escândalo envolvendo o Banco Master, caso que passou a atingir setores da direita e da extrema-direita nacional.

O nome de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e principal pivô do caso, atualmente preso em Brasília, surge como peça central da crise. Vorcaro será decisivo para esclarecer as circunstâncias que levaram a Prefeitura de Maceió a investir R$ 117 milhões da previdência municipal em títulos de alto risco do Banco Master.

O episódio passou a colocar JHC no centro de questionamentos sobre os critérios adotados pelo IPREV e sobre a atuação do diretor-presidente do instituto. Nos bastidores políticos, a avaliação é de que o caso tem potencial para levar o ex-prefeito a prestar esclarecimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.

Nada indica que isso não possa ocorrer durante o período eleitoral. O avanço das investigações já alcança figuras influentes do centrão e aliados políticos, como o senador Ciro Nogueira e o prefeito de Cajamar (SP), ambos monitorados pela Polícia Federal.

O assunto ganhou ainda mais peso político após o senador Renan Calheiros, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, romper o silêncio e abordar o caso durante discurso realizado na última segunda-feira, 12. Ao relacionar o escândalo do Banco Master à Prefeitura de Maceió, Renan elevou a temperatura do embate político e sinalizou que o tema deverá ocupar espaço central na disputa alagoana dos próximos meses.

Nos bastidores, cresce também a especulação sobre os acordos políticos que teriam cercado a indicação de Marluce Caldas, tia de JHC, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na avaliação de setores da política alagoana, JHC entra agora em uma fase distinta de sua trajetória. Pela primeira vez, enfrentará diretamente um adversário com peso histórico, estrutura consolidada e forte influência institucional, como Renan Calheiros.

Entre políticos locais, cresce a avaliação de que o ex-prefeito não conseguirá escapar da pressão política exercida pelo grupo dos Calheiros. Nos bastidores, também circula a percepção de que Daniel Vorcaro poderá revelar os acertos feitos entre ele e JHC.

O fato, porém, é que a Polícia Federal já teria conhecimento sobre as articulações envolvendo ambos. Para interlocutores políticos, é apenas uma questão de tempo até que JHC seja convocado pela PF.

Enquanto isso, o tempo político avança. E, como repetem antigos operadores do poder em Brasília, “na economia e na política não existe almoço grátis”.

*Historiador e jornalista

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