segunda-feira, 18 maio 2026
Nuvens dispersas
Maceió
23°C
Nuvens dispersas
Nuvens dispersas
Maceió
23°C
Nuvens dispersas

O mito do Paraguai próspero

por | 18 maio, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Por Wevergton Brito, no portal Vermelho

A extrema-direita brasileira tem enaltecido o Paraguai como modelo de gestão econômica “libertária”, seja lá o que isso signifique.

No entanto, o país, de acordo com o Relatório da ONU de Desenvolvimento Humano 2025, com dados de 2023, tem o pior IDH do Mercosul e fica atrás também do IDH de Costa Rica, Panamá, Colômbia e Peru.

Em mortalidade infantil, a posição do país também apresenta indicadores ruins. São dezesseis óbitos para cada mil nascimentos, contra 5 no Chile, 6 no Uruguai, 7 em Costa Rica, 7 em Cuba, 8 na Argentina, doze no Brasil, doze no México e treze na Colômbia, segundo informam a UNICEF, o Banco Mundial e a ONU (dados 2023–2024).

No artigo “O mito do governo: Como se constrói a narrativa sobre o emprego e a estabilidade no Paraguai”, da pesquisadora Alhelí González Cáceres, é demonstrado que o discurso que apresenta o Paraguai como exemplo de sucesso econômico esconde uma realidade social marcada pela precarização do trabalho, informalidade massiva e baixos salários.

A autora aponta que os sucessivos governos colorados — especialmente o atual governo ligado ao cartismo (corrente do Partido Colorado liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes) — construíram uma narrativa sustentada em três pilares: estabilidade macroeconômica, crescimento econômico e baixo desemprego.

O principal símbolo desse discurso é a divulgação de taxas historicamente baixas de desocupação, hoje entre 4% e 5%. Porém, esses números não refletem a verdadeira situação vivida pelo proletariado paraguaio.

O artigo questiona a metodologia utilizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), responsável pela Pesquisa Permanente de Domicílios. A crítica central é que a pesquisa considera “ocupada” qualquer pessoa que tenha trabalhado poucas horas na semana, mesmo em atividades extremamente precárias ou instáveis. Isso inclui vendedores ambulantes, motoristas de aplicativos, trabalhadores sem contrato e pessoas vivendo de pequenos “bicos”. Assim, a baixa taxa de desemprego convive com uma ampla deterioração das condições sociais.

Os dados mais recentes citados no artigo ajudam a dimensionar essa realidade. Cerca de 66% dos trabalhadores paraguaios estão concentrados no setor de serviços, marcado por precarização, baixa produtividade, rendimentos reduzidos e forte instabilidade. Já o agronegócio, principal fonte de divisas do país, emprega 13% da força de trabalho, enquanto a indústria absorve cerca de 20%.

Outro dado destacado é o nível de informalidade. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em dezembro de 2025 aproximadamente 70% dos trabalhadores paraguaios atuavam na informalidade, sem proteção social, direitos trabalhistas ou estabilidade.

A autora afirma que o modelo econômico paraguaio gera crescimento concentrado em setores exportadores, mas incapazes de criar empregos de qualidade em larga escala. O resultado é uma massa de trabalhadores obrigada a sobreviver por meio do autoemprego, aplicativos, comércio informal e atividades precárias.

A aparente “normalidade” econômica do Paraguai, afirma a autora, mascara uma profunda crise social. Apesar dos indicadores macroeconômicos positivos, grande parte da população enfrenta jornadas extensas, salários insuficientes, insegurança trabalhista e deterioração das condições de vida. Para Alhelí González, o “milagre paraguaio” depende justamente da invisibilização dessa precariedade estrutural. Leia o artigo completo (em espanhol), publicado no Adelante!, site do Partido Comunista Paraguaio, clicando aqui.

0 comentários