Lideranças políticas e ativistas do Brasil, da Índia e do Paraguai alertaram, na última sexta-feira (15), para o avanço global da extrema direita e seus impactos sobre direitos sociais, segurança pública e democracia. O debate ocorreu durante a conferência internacional Good Night, Far Right – A Saída é Pela Esquerda, promovida pela Fundação Rosa Luxemburgo, em São Paulo. O evento foi encerrado no sábado (16)
A mesa “A agenda anti-direitos: respostas às estratégias da extrema direita” reuniu a ex-ministra da Saúde do Paraguai Esperanza Martínez, a ativista e escritora indiana Kavita Krishnan e a ex-deputada federal Aurea Carolina (Psol-MG). A mediação foi feita por Cristiane Gomes.
Durante o encontro, as participantes avaliaram que setores da extrema direita têm utilizado discursos ligados ao medo, à insegurança e aos costumes para mobilizar apoio popular e enfraquecer direitos historicamente conquistados.
“O medo é a palavra-chave”, afirmou Esperanza Martínez ao comentar o avanço da militarização no Paraguai após a destituição do ex-presidente Fernando Lugo, em 2012.
Segundo a dirigente paraguaia, governos conservadores passaram a utilizar temas como combate ao narcotráfico e a chamada “ideologia de gênero” como instrumentos permanentes de mobilização política.
Martínez também criticou a dificuldade histórica da esquerda em disputar o debate sobre segurança pública, permitindo que o tema fosse associado apenas a repressão e militarização.
A ativista Kavita Krishnan afirmou que movimentos de extrema direita atuam hoje para enfraquecer a ideia de direitos universais e desacreditar a democracia.
“Eles estão tentando tornar a democracia impopular”, declarou.
Segundo ela, há uma convergência internacional entre governos nacionalistas e autoritários interessados em substituir princípios universais por projetos políticos excludentes.
“Defender direitos universais hoje também é defender uma revolução”, acrescentou.
Já Aurea Carolina destacou que, no Brasil, a extrema direita atua de forma cotidiana e articulada, principalmente nos legislativos municipais, disputando pautas relacionadas à cultura, drogas, sexualidade e segurança pública.
“Existe uma política do cotidiano que conversa diretamente com as pessoas”, afirmou.
A ex-parlamentar também mencionou o fortalecimento de discursos punitivistas no país, mesmo diante do aumento da violência e do encarceramento em massa.
Ao abordar o tema da segurança pública, Aurea avaliou que a esquerda ainda enfrenta dificuldades para apresentar respostas simples e diretas à população.
“Enquanto a extrema direita usa uma frase para dizer que a solução para a segurança pública é prender e matar, a gente tem mil teorias”, declarou.
Para ela, experiências locais e políticas comunitárias podem funcionar como instrumentos importantes para reconstruir vínculos sociais e ampliar a participação popular.







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