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Operação reduz em 99% abertura de novos garimpos na Terra Yanomami

por | 4 jun, 2026

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A estratégia de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami tem concentrado esforços no bloqueio das rotas de abastecimento utilizadas pelos invasores. Segundo balanço divulgado pelo Governo Federal, as ações de fiscalização realizadas desde a criação da Casa de Governo, em março de 2024, contribuíram para uma redução de 99% na abertura de novas áreas de exploração mineral dentro do território indígena.

O dado consta em levantamento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), que atribui o resultado à presença permanente de órgãos federais e forças de segurança na região. Desde o início da operação, mais de 10 mil ações foram realizadas para impedir a reorganização de grupos envolvidos na atividade ilegal.

As operações concentram-se na fiscalização de aeronaves, pistas clandestinas, embarcações, postos de combustíveis e demais estruturas utilizadas para transportar equipamentos, combustíveis e mantimentos aos garimpos. O trabalho é executado de forma integrada por diferentes órgãos federais, com participação das Forças Armadas, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Força Nacional.

Durante o mês de maio, foram realizadas 310 ações de combate ao garimpo ilegal, resultando em mais de mil abordagens e na fiscalização de veículos, aeronaves, pistas de pouso e postos de abastecimento. As equipes apreenderam aeronaves, armamentos, embarcações e equipamentos utilizados na exploração mineral, além de inutilizarem acampamentos, balsas, motores, geradores e estruturas de apoio.

As ações também levaram à destruição de estoques de combustíveis e à apreensão de cassiterita, minério frequentemente explorado na região. Em diferentes pontos da Terra Yanomami, agentes localizaram acampamentos clandestinos e equipamentos destinados à atividade garimpeira, incluindo rádios de comunicação, placas solares e máquinas de separação de minério.

O trabalho de monitoramento conta ainda com a atuação permanente de servidores da Funai, responsáveis por identificar novas rotas utilizadas por invasores e apoiar as operações de fiscalização em áreas remotas do território.

As ações se estendem para além dos limites da Terra Indígena. Em municípios considerados corredores logísticos do garimpo, equipes da ANTT e da Força Nacional realizam fiscalizações para impedir o transporte de suprimentos destinados aos acampamentos ilegais. Em uma dessas operações, foram identificadas cargas de alimentos que seriam encaminhadas a garimpeiros que atuavam na região.

A Polícia Rodoviária Federal também intensificou o monitoramento das rotas de escoamento do minério extraído ilegalmente. Em uma das abordagens realizadas na BR-174, agentes apreenderam cerca de quatro quilos de ouro transportados sem documentação fiscal ou autorização ambiental.

Desde março de 2024, a Operação de Desintrusão da Terra Indígena Yanomami contabiliza mais de 53 mil abordagens e 369 prisões ou detenções. Nesse período, foram apreendidos armamentos, munições, ouro, mercúrio e diversos equipamentos utilizados na atividade garimpeira.

De acordo com o Governo Federal, as operações já provocaram prejuízo estimado em R$ 709 milhões às organizações envolvidas na exploração ilegal de minérios. A estratégia segue baseada na interrupção das cadeias de abastecimento e na manutenção da presença permanente do Estado em áreas consideradas estratégicas para a proteção do território e das comunidades indígenas.

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