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O desertificação avança e ameaça a vida

por | 13 jun, 2026

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Por Ricardo Ramalho*

A desertificação é um processo climático, acelerado por práticas humanas danosas ao meio ambiente saudável e produtivo. Ocorre em zonas áridas, semiáridas e de baixa umidade. As terras secas são degradadas ao longo dos anos e se transformam em desertos. De forma silenciosa destrói a capacidade de o solo sustentar as diversas formas de vida dos ecossistemas, transformando áreas outrora produtivas em espaços naturais sem vida. Assim, compromete a produção agropecuária e a renda das famílias que vivem nessas regiões ameaçadas pelo fenômeno. A qualidade ambiental é, portanto, agravada drasticamente e a sonhada agricultura equilibrada, em harmonia com a natureza, desaparece.

Em verdade, a desertificação é resultado de um conjunto de fatores dos modelos de agricultura dominante que desconsidera princípios fundamentais de ecologia e visam lucro ao preço da degradação ambiental. Aspectos socioeconômicos e políticos, assim como pressões dos mercados globalizados quanto à produção de alimentos, aliados à variabilidade climática e às instabilidades das chuvas, são elementos comprometedores desse desequilíbrio.

A desertificação em Alagoas se alastra por 65 municípios, compreendendo uma superfície de quase 20.000 km², onde se encontra uma população em torno de 1.500.000 habitantes. Seus efeitos acontecem mais fortemente na região do bioma Caatinga e, em alguns municípios, alcança níveis muito graves, como por exemplo Ouro Branco, Maravilha, Inhapi, Senador Rui Palmeira, Carneiros, Pariconha, Água Branca e Delmiro Gouveia.

As áreas afetadas pela desertificação vêm crescendo em Alagoas principalmente devido às ações humanas como o desmatamento acelerado e o uso desordenado e inadequado do solo. O desmatamento que reduziu a menos de 10% da cobertura original da nossa Caatinga é o principal motivo. Terras sem matas e plantadas sem os cuidados de conservação do solo e da água enfraquecem a fertilidade e diminuem drasticamente a biodiversidade, corroída pela erosão. Mesmo a irrigação, que poderia amenizar a situação, quando mal-empregada provoca a salinização e acidificação das terras, tornando-as imprestáveis para as lavouras. Nos últimos tempos a aplicação aérea de agrotóxicos, principalmente os herbicidas pulverizados por drones, tem contribuído para aumentar o desmatamento e a consequente desertificação.

O dia 17 de junho foi escolhido pela ONU como data dedicada ao combate mundial contra a desertificação. Alagoas precisa reconhecer e se integrar a esse esforço universal, não apenas identificando as causas, mas sobretudo executando políticas públicas, em conjunto com a sociedade civil, que enfrentem esse ecocídio com estratégias de resiliência baseadas na Agroecologia. Estratégias que considerem o conhecimento acadêmico e os saberes populares ancestrais das comunidades rurais ameaçadas e encontrem caminhos que restaurem nossos Sertões pelo recaatingamento e sistemas agroflorestais, modelos consagrados de convivência harmoniosa com a Natureza. Alerte-se ainda para agravantes climáticos emergenciais como os previsíveis transtornos que ocorrerão nos próximos meses com a diminuição das chuvas do inverno deste ano, provocada pelo El Niño.

Para enfrentamento desse flagelo socioambiental está sendo atualizado o Plano Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, o PAE-AL 2026. Um documento norteador de ações e projetos que se contraponham a esses fenômenos climáticos de forma articulada entre o governo e a sociedade civil.

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