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Alfredo Gaspar: um projeto político marcado pelo extremismo e pelo vazio de propostas

por | 17 jun, 2026

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Por Geraldo de Majella*

A pré-candidatura de Alfredo Gaspar (PL) ao Senado Federal coloca em debate não apenas um nome, mas uma concepção de política e de sociedade. Seus apoiadores o apresentam como defensor da ordem e do combate à criminalidade. Seus críticos, entretanto, enxergam em sua trajetória um vazio de propostas para quem pretende ocupar uma cadeira no Senado e a consolidação de uma visão marcada pela violência política e pela hostilidade aos seus opositores — especialmente à esquerda e a tudo o que represente o respeito à democracia e aos direitos humanos. Para esses setores, Alfredo Gaspar tornou-se um dos símbolos da extrema-direita alagoana.

A ascensão política de Alfredo Gaspar está associada aos cargos que ocupou em instituições do Estado. Primeiro no Ministério Público de Alagoas, onde alcançou projeção pública ao exercer funções de destaque, e depois na Secretaria de Segurança Pública. Em ambos os espaços, construiu uma imagem pública baseada no enfrentamento da criminalidade e na ampla divulgação de operações policiais. Na SSP, transformou a política de segurança em uma vitrine eleitoral, associando sua imagem a uma concepção de combate ao crime marcada pela lógica do “bomba, porrada e tiro” e por um enfrentamento seletivo da criminalidade, direcionado sobretudo aos segmentos mais vulneráveis da população. Essa postura acabou se tornando sua principal credencial para a disputa de cargos eletivos.

Na Câmara Federal, Alfredo Gaspar tornou-se um dos representantes mais identificados com as pautas da extrema-direita. Com escassa contribuição aos grandes debates nacionais e às questões estratégicas para o desenvolvimento de Alagoas, sua atuação parlamentar tem sido marcada sobretudo pelo confronto ideológico, pelos ataques aos adversários políticos e pela reprodução de discursos extremistas. Em um Parlamento que já convive com baixos níveis de elaboração política e programática, destaca-se mais pela agressividade retórica do que pela apresentação de propostas capazes de enfrentar os problemas estruturais do estado e do país.

Uma das principais críticas dirigidas ao parlamentar é a ausência de protagonismo em debates estratégicos para o estado. Questões como geração de empregos, diversificação econômica, ciência, tecnologia, educação superior, combate às desigualdades regionais e fortalecimento da infraestrutura não fazem parte da sua agenda política. É um típico militante extremista que busca visibilidade e curtidas nas redes sociais por meio de ataques à esquerda, recorrendo com frequência a temas extravagantes e à propagação de fake news.

A disputa pelo Senado exige uma reflexão que vai além das preferências partidárias. O cargo demanda capacidade de formulação, diálogo institucional e compromisso com os interesses permanentes do estado. Nesse contexto, os críticos de Alfredo Gaspar questionam se sua trajetória política demonstra disposição para exercer esse papel ou se sua atuação continua orientada prioritariamente pela lógica do confronto e da mobilização ideológica.

A eleição para o Senado não representa apenas a escolha de um indivíduo, mas também a definição dos valores e das prioridades que Alagoas pretende levar para a representação nacional. É nesse terreno que a candidatura de Alfredo Gaspar deverá ser julgada pelos eleitores: pelo vazio de ideias e propostas para o estado, pela política de confronto que marca sua trajetória e pela arrogância que tem caracterizado sua atuação pública.

*Historiador e jornalista

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