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Mostra celebra centenário de Alexina Crespo até 29 de julho

por | 7 jul, 2026

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A exposição “Vermelho Brasil: 100 anos de Alexina Crespo” segue aberta ao público na Galeria Massangana, no campus da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em Casa Forte, no Recife, até o próximo dia 29 de julho. A mostra celebra o centenário de nascimento da pernambucana Alexina Crespo, uma das principais personagens da luta pela reforma agrária no Brasil e integrante das Ligas Camponesas desde a década de 1950.

Ao longo da trajetória política, Alexina atuou na articulação das Ligas Camponesas, participou de ações pela desapropriação de terras, acolheu trabalhadores rurais que chegavam ao Recife em busca de apoio, coordenou relações internacionais com países do bloco socialista e recebeu treinamento de guerrilha para resistir à repressão imposta por latifundiários e, posteriormente, pela ditadura militar.

Companheira do advogado e líder camponês Francisco Julião, ela conciliou a intensa militância política com a criação dos quatro filhos e os afazeres domésticos impostos pela sociedade da época. Também encontrou espaço para a produção artística e literária, facetas reveladas na exposição por meio de fotografias, documentos, cartas, jornais e objetos pessoais.

O percurso apresenta ainda sua infância, a militância política e o período de exílio em países como Cuba — onde permaneceu após o golpe de 1964 por orientação de Fidel Castro —, Chile, durante o governo de Salvador Allende, e Suécia, destino após a instalação da ditadura de Augusto Pinochet.

Reprodução

A mostra tem curadoria de Camila Maria Santos, Elaine Santana do Ó e Raul Calle de Paula, bisneto de Alexina e Francisco Julião. Segundo Raul, o acervo preservado pela família permite conhecer não apenas a trajetória da revolucionária, mas também aspectos fundamentais da história política brasileira do século XX.

“Alexina experimentou o século 20 de maneira muito contundente e com muito protagonismo. Foi amiga de Fidel, recebida por Mao, fez um périplo por países socialistas, organizou as comunicações internacionais das Ligas, além de uma militância anterior menos conhecida, sendo uma das fundadoras de movimentos femininos em Pernambuco, ao lado de nomes como Naíde Teodosío, Adalgisa Cavalcante, Júlia Santiago e Ida Marinho do Rêgo. O que temos exposto é a história do século 20 pelos olhos de uma pernambucana”, afirma Raul.

Além da exposição, o centenário de Alexina Crespo também resultou na publicação do livro “Os Poemas de Apolo e outros escritos”, lançado pela Cepe, reunindo poesias e prosas inéditas produzidas entre 1980 e 2010, período posterior ao retorno do exílio.

Para Raul, a exposição revela um lado pouco conhecido da militante. “São pequenas coisas, como as roupas que ela vestia, fotografias de família e registros de seu convívio dentro de casa, que revelam uma personalidade rica, que não se curvou diante das piores atrocidades. Acho que temos uma janela para o espírito de Alexina, para além de uma guerrilheira, em que podemos conhecê-la como uma vizinha recifense, uma pessoa menos plana e mais próxima. É também, pessoalmente falando, uma alegria muito grande, como se tivesse matando a saudade”, conclui.

A exposição “Vermelho Brasil: 100 anos de Alexina Crespo” permanece em cartaz na Galeria Massangana, da Fundaj, em Casa Forte, no Recife, até 29 de julho.

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