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Casos de bruxismo crescem com avanço do estresse e da ansiedade, alerta especialista

por | 7 jul, 2026

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O aumento dos níveis de estresse, ansiedade e dos distúrbios do sono tem contribuído para o crescimento dos casos de bruxismo, condição caracterizada pelo hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes. O reflexo dessa tendência já é percebido nos consultórios odontológicos, com um número maior de pacientes em busca de tratamento para dores na face, dores de cabeça, desgaste dentário e desconforto na mandíbula.

Na Clínica-Escola de Odontologia da Afya Maceió, a procura por atendimento relacionado ao problema aumentou nos últimos anos, segundo o professor do curso de Odontologia, Jadson Domingues.

“Temos observado um aumento significativo de pessoas que apresentam sinais e sintomas compatíveis com bruxismo, especialmente nos últimos anos. Muitos procuram atendimento por dor na musculatura da face, dores de cabeça frequentes, desgaste dos dentes ou desconforto na articulação da mandíbula. Esse crescimento acompanha uma tendência mundial e está relacionado, entre outros fatores, ao aumento dos níveis de estresse, ansiedade e alterações na qualidade do sono”, afirma.

O especialista explica que o bruxismo é uma condição multifatorial e não deve ser encarado apenas como um problema odontológico. Segundo ele, fatores como estresse crônico, pressão profissional, preocupações financeiras, alterações neurológicas, uso de alguns medicamentos e distúrbios do sono podem desencadear ou agravar o quadro.

“O aumento de casos reflete uma população mais exposta ao estresse crônico, à pressão profissional, às preocupações financeiras e às dificuldades para manter um sono reparador. Muitas vezes, o organismo manifesta esse sofrimento emocional por meio de alterações musculares e hábitos involuntários, como apertar ou ranger os dentes”, destaca.

Entre os principais sinais de alerta estão desgaste excessivo dos dentes, sensibilidade dentária, dores na musculatura da face ao acordar, dores de cabeça frequentes, estalos na articulação da mandíbula, além de marcas de mordidas na língua ou nas bochechas. Em muitos casos, o próprio paciente desconhece a condição e só recebe o diagnóstico após avaliação clínica.

Sem tratamento, o bruxismo pode causar fraturas dentárias, retração gengival, dores musculares crônicas, disfunções da articulação temporomandibular (ATM), limitação dos movimentos da mandíbula e até impactos na qualidade do sono e no desempenho das atividades diárias.

Segundo Jadson Domingues, o problema também pode estar associado à apneia obstrutiva do sono e a outros distúrbios que comprometem o descanso noturno.

“Quando o sono é fragmentado ou de baixa qualidade, aumenta a fadiga, a sonolência durante o dia e a dificuldade de concentração. Ao mesmo tempo, noites mal dormidas elevam os níveis de estresse e favorecem novos episódios de bruxismo, formando um ciclo que precisa ser interrompido com uma abordagem multidisciplinar”, explica.

Os adultos jovens e pessoas de meia-idade são os grupos que mais procuram tratamento, principalmente aqueles submetidos a altos níveis de exigência profissional ou acadêmica. No entanto, adolescentes e universitários também têm apresentado sintomas relacionados ao estresse.

A recomendação é procurar um cirurgião-dentista ao perceber dores faciais, dores de cabeça frequentes ou desconforto na mandíbula. O tratamento varia conforme cada caso e pode incluir placas oclusais, fisioterapia, exercícios musculares e acompanhamento psicológico ou médico.

“O tratamento deve ser individualizado e pode incluir placas oclusais, fisioterapia, exercícios musculares, orientação sobre hábitos e, principalmente, o controle dos fatores emocionais. Em muitos casos, a atuação conjunta entre dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e médicos do sono proporciona os melhores resultados”, conclui o professor.

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