O jornal britânico The Guardian publicou um editorial em que critica a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Brasil. Segundo o periódico, a ameaça de impor tarifas comerciais ao país ultrapassa a esfera econômica e representa uma tentativa de pressionar a autonomia brasileira.
No texto, o jornal afirma que Trump enquadra medidas adotadas pelo Brasil para proteger a democracia e regulamentar plataformas digitais como práticas comerciais desleais, ao mesmo tempo em que fortalece o discurso do bolsonarismo nos Estados Unidos.
O editorial cita a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que ampliou a responsabilização das redes sociais por conteúdos considerados ilegais, como discursos de ódio e publicações antidemocráticas. Para o jornal, a reação do governo norte-americano, incluindo a ameaça de novas tarifas sobre produtos brasileiros, está relacionada à atuação das empresas de tecnologia dos EUA.
O The Guardian também aborda as críticas feitas pelos Estados Unidos ao Pix. Segundo o periódico, o sistema de pagamentos instantâneos representa uma infraestrutura pública que reduz a dependência de redes privadas internacionais, como Visa e Mastercard, fortalecendo a autonomia financeira do Brasil.
Na avaliação do jornal, a principal questão não é o protecionismo brasileiro, mas a capacidade do país de desenvolver mecanismos próprios nas áreas digital, financeira e regulatória.
O editorial ainda comenta o cenário político brasileiro. O jornal descreve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um dos políticos mais bem-sucedidos deste século e afirma que sua trajetória foi marcada por políticas de redução da pobreza. Sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o texto afirma que ele mantém pautas semelhantes às do ex-presidente Jair Bolsonaro e classifica como “extremamente audacioso” o pedido feito ao governo norte-americano para adiar a aplicação de tarifas contra o Brasil até após as eleições de outubro.
O editorial conclui afirmando que “a verdadeira infração não é o protecionismo, mas a autonomia”, sustentando que a soberania brasileira tem sido tratada pelo governo Trump como uma forma de discriminação comercial.





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