Mais de 380 especialistas internacionais, entre eles 16 vencedores do Prêmio Nobel, assinaram um manifesto que alerta para os impactos da inteligência artificial (IA) na economia e defende medidas urgentes para preparar governos, empresas e a sociedade para as transformações provocadas pela tecnologia.
O documento, intitulado “Temos de Agir Agora: uma Declaração sobre a Transformação da Economia da IA”, foi elaborado por pesquisadores da Stanford Digital Economy Lab, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
No texto, os especialistas afirmam que a inteligência artificial poderá se tornar “radicalmente mais poderosa” na próxima década, provocando mudanças econômicas em ritmo superior ao da Revolução Industrial.
Segundo o manifesto, esse avanço pode gerar benefícios, como o aumento dos padrões de vida, mas também traz riscos, entre eles o deslocamento de trabalhadores em larga escala devido à automação.
Os signatários defendem que economistas, formuladores de políticas públicas e líderes do setor de tecnologia atuem desde já na criação de incentivos, salvaguardas e instituições capazes de orientar o desenvolvimento da IA de forma que ela complemente o trabalho humano e beneficie toda a sociedade.
Para Erik Brynjolfsson, um dos autores do documento e professor da Universidade de Stanford, o desenvolvimento da tecnologia está ocorrendo em velocidade maior do que a capacidade de compreender seus impactos econômicos.
“As capacidades da IA estão avançando muito mais rápido do que a nossa compreensão sobre as suas implicações econômicas. Devemos agir agora para guiar a IA para complementar os seres humanos, e não apenas imitá-los, gerando prosperidade para muitos, e não apenas para poucos”, afirmou.
Outro autor do manifesto, o pesquisador Tom Cunningham, comparou o momento atual a uma viagem em meio à neblina.
“Estamos dirigindo no nevoeiro, e é extraordinariamente difícil antecipar o que vai acontecer. Este é o momento certo para um esforço coordenado que traga clareza a uma situação confusa”, disse.
O economista Michael Spence, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e um dos signatários, também destacou que a velocidade, a escala e a incerteza dos avanços da inteligência artificial exigem uma atuação conjunta para garantir que seus efeitos sejam positivos para a economia e para a sociedade.





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