As férias escolares e o período de recesso costumam registrar aumento nas compras de passagens, reservas de hospedagem e transações pela internet. Com o maior volume de pessoas conectadas, também cresce a atuação de criminosos virtuais que utilizam falsas promoções, sites clonados e mensagens fraudulentas para aplicar golpes.
Segundo o coordenador do curso de Ciência da Computação da Afya Maceió, Francisco Vital, o comportamento dos consumidores favorece a ação dos golpistas.
“Durante as férias, as pessoas passam mais tempo conectadas, realizam mais transações financeiras e compartilham um volume maior de informações pessoais. Esse cenário é explorado por criminosos que criam falsas promoções, sites fraudulentos e mensagens com senso de urgência para enganar as vítimas”, explica.
Entre as fraudes mais comuns estão páginas falsas que imitam companhias aéreas, hotéis e plataformas de hospedagem, além de mensagens por WhatsApp, SMS e e-mail informando supostos problemas em reservas ou pagamentos. Também há criminosos que se passam por funcionários de bancos ou empresas de turismo para convencer a vítima a fornecer dados pessoais ou realizar transferências via Pix.
O especialista alerta ainda para os riscos do uso de redes Wi-Fi públicas em aeroportos, hotéis, restaurantes e shoppings. Segundo ele, redes falsas podem ser criadas para interceptar informações dos usuários. A orientação é confirmar a rede oficial do estabelecimento, evitar acessar aplicativos bancários em conexões públicas e, sempre que possível, utilizar a internet móvel ou uma rede privada virtual (VPN).
Na compra de passagens e reservas de hospedagem, preços muito abaixo do mercado devem despertar desconfiança. Antes de efetuar o pagamento, é recomendável verificar se o endereço eletrônico pertence à empresa, pesquisar a reputação da plataforma, conferir dados como CNPJ e canais oficiais de atendimento e desconfiar quando o único meio de pagamento disponível for Pix ou transferência bancária.
Francisco Vital também recomenda manter celulares e computadores atualizados, utilizar senhas diferentes para cada serviço, ativar a autenticação em dois fatores e instalar aplicativos apenas pelas lojas oficiais.
Outro ponto de atenção é o uso da inteligência artificial por criminosos. Ferramentas capazes de produzir mensagens sem erros, clonar vozes e criar vídeos manipulados (deepfakes) tornam os golpes mais convincentes.
“A maioria dos golpes pode ser evitada com atitudes simples, como verificar a origem de uma mensagem, confirmar informações por outro canal e pesquisar a reputação de um site antes de realizar pagamentos. A melhor ferramenta de segurança continua sendo o comportamento do usuário”, afirma.
Caso a pessoa seja vítima de fraude, a orientação é comunicar imediatamente a instituição financeira, alterar as senhas das contas comprometidas, registrar boletim de ocorrência e informar a plataforma utilizada.
Nos casos envolvendo Pix, o especialista lembra que é possível acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), disponível no aplicativo do banco. O recurso pode ser solicitado em até 80 dias após a transferência e é destinado a situações de golpe, fraude ou falha operacional, aumentando as chances de recuperação dos valores quando a comunicação é feita rapidamente.





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