Trinta anos após a morte de Paulo César Farias, personagem central da crise que culminou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o jornalista e escritor Xico Sá retorna ao caso em “O Tesoureiro”, obra que mistura reportagem, memória e literatura para reconstruir uma das histórias mais emblemáticas da política brasileira.
No livro, o autor acompanha a trajetória do empresário alagoano desde sua atuação como articulador e tesoureiro da campanha presidencial de 1989, passando pela consolidação do esquema de corrupção que abalou o governo Collor, a fuga internacional, a prisão e o assassinato, em 1996, ao lado da namorada Suzana Marcolino, em um crime que permanece cercado de controvérsias.
Ao revisitar o episódio três décadas depois, Xico Sá afirma que o distanciamento histórico permitiu ampliar a narrativa e incorporar experiências pessoais vividas durante a cobertura jornalística do caso.
“Na época, contei de forma muito objetiva, rezando pelo manual de redação. Agora coloquei ‘vida como ela é’.”
O autor explica que a obra não se limita à reconstituição dos fatos conhecidos, mas traz bastidores, relatos inéditos e episódios que, segundo ele, não puderam ser comprovados ou publicados quando ocorreram.
Entre as revelações destacadas no livro estão detalhes da fuga de PC Farias para o exterior, supostas conexões com integrantes da Polícia Federal e da Interpol e a reconstrução das relações políticas que marcaram os primeiros anos da Nova República.
Para Xico Sá, o personagem continua despertando interesse justamente por reunir características que parecem saídas da ficção, embora tenham produzido consequências concretas na história política do país.
“O PC Farias foi realmente um personagem que parece saído da melhor ficção latino-americana.”
Além do relato político, “O Tesoureiro” também recompõe o ambiente cultural da década de 1990, com referências à música, ao cinema, à literatura e ao cotidiano da época, elementos que ajudam a contextualizar o período em que o escândalo ganhou dimensão nacional.
Ao estabelecer paralelos entre passado e presente, o escritor sustenta que mecanismos de financiamento político, relações de poder e práticas que marcaram o caso PC Farias ainda encontram reflexos na política brasileira contemporânea, reforçando a atualidade da discussão proposta pela obra.








0 comentários