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Boom financeiro de Maceió na gestão JHC evapora e deixa questionamentos sobre destino de R$ 4 bilhões

por | 24 jul, 2026

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Por Geraldo de Majella*

O então prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), teve à disposição um volume de recursos sem precedentes na história da capital alagoana: R$ 4,025 bilhões em caixa, resultado de indenizações, concessões e operações de crédito contratadas pela Prefeitura.

O montante foi formado por diferentes fontes de recursos:

• R$ 1,7 bilhão da Braskem — valores pagos em compensações judiciais pelos crimes socioambientais provocados pela Braskem, que atingiram cinco bairros de Maceió;

• R$ 286 milhões da concessão da Casal — recursos provenientes do contrato de concessão dos serviços de água e esgoto;

• R$ 1,875 bilhão em empréstimos nacionais — operações de crédito contratadas principalmente junto à Caixa Econômica Federal;

• US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) — financiamento internacional contratado junto ao Fonplata.

Apesar do volume bilionário de recursos, permanecem questionamentos sobre a transformação desse caixa em obras estruturantes e melhorias permanentes nos serviços públicos da capital. Áreas como saúde, educação, mobilidade urbana e infraestrutura continuam no centro do debate sobre as prioridades da administração municipal.

Na educação, seguem as cobranças por ampliação da oferta de vagas em creches, melhorias na estrutura física das unidades de ensino e soluções definitivas para o transporte escolar. Na saúde, a discussão envolve a ampliação da rede pública e a melhoria dos serviços oferecidos à população.

Ao mesmo tempo, a gestão municipal concentrou investimentos em intervenções urbanas de forte impacto visual, principalmente em áreas valorizadas da orla marítima, como Ponta Verde, Jatiúca e Pajuçara. Enquanto esses locais receberam obras de valorização urbana, bairros periféricos continuaram enfrentando problemas de infraestrutura, obras inacabadas, dificuldades habitacionais e precariedade do transporte urbano.

O chamado boom financeiro de Maceió durante a gestão JHC começa a ser questionado diante da percepção de que o volume extraordinário de recursos não resultou em um conjunto de obras estruturantes compatível com os R$ 4 bilhões disponíveis. A pergunta que passou a fazer parte do debate público é: onde foram aplicados bilhões de reais e quais transformações permanentes esses recursos deixaram para a cidade?

A avaliação de parlamentares de oposição e ex-aliados é de que a administração priorizou ações de grande exposição pública e forte presença nas redes sociais, em vez de investimentos capazes de enfrentar desigualdades históricas da capital.

O debate sobre o destino desses recursos deve permanecer no centro da política municipal. Com empréstimos de longo prazo e compromissos financeiros futuros, a discussão passa a envolver não apenas o volume arrecadado, mas o legado deixado pela aplicação desse dinheiro.

*Historiador e jornalista

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