Por Claudevan Melo*
A poesia alagoana tem entre seus nomes Aristheu Bulhões, poeta que construiu sua trajetória entre a literatura, o direito e a participação em instituições literárias de Alagoas e de São Paulo. Seus versos também ultrapassaram as páginas dos livros e chegaram à música pelas mãos da compositora e pianista paraense Rachel Peluso.
Aristheu Bulhões nasceu em Maceió, em 8 de junho de 1909. Iniciou os estudos no Liceu Alagoano, onde cursou o primário entre 1919 e 1923. Foi nesse período que começou a escrever versos metrificados, revelando desde cedo sua aproximação com a poesia.
Em 1928, bacharelou-se em Ciências e Letras. Aos 20 anos, iniciou o curso de Direito na Faculdade do Recife. Posteriormente, prosseguiu sua formação em Ciências Jurídicas e Sociais no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, concluindo essa etapa em 1937.
Sua atuação literária levou-o à Academia Alagoana de Letras. Aristheu Bulhões ocupou a cadeira nº 31 da instituição, em sucessão ao poeta Ciridião Durval. Também integrou a Academia Maceioense de Letras, participando da vida literária de sua terra natal.
Em 1950, transferiu residência para Santos, no estado de São Paulo, cidade onde permaneceu até sua morte, em novembro de 2000, aos 91 anos. Longe de Alagoas, continuou ligado à atividade literária. Em Santos, fundou o Clube da Poesia e a Casa do Poeta de Praia Grande. Foi também membro da Academia Santista de Letras e um dos seus fundadores, em 1957.
A relação de Aristheu Bulhões com a música ganhou uma dimensão especial por meio de Rachel Peluso. Nascida em 1908 e falecida em 2005, a compositora e pianista paraense musicou alguns poemas do poeta alagoano, aproximando sua produção literária da criação musical.
Entre os versos de Aristheu que chegaram à música estão os que tratam da morte e da continuidade da vida:
“Morte não é despedida
nem fatal separação
Amanhã surgirá vida
das vidas que hoje se vão”
Os versos sintetizam uma concepção poética marcada pela reflexão sobre a morte, não como ruptura definitiva, mas como passagem e continuidade. Musicados por Rachel Peluso, eles estabelecem um encontro entre a poesia de um alagoano e a sensibilidade musical de uma artista paraense.
A trajetória de Aristheu Bulhões atravessou, assim, diferentes espaços da cultura brasileira. Nascido em Maceió, formado entre Alagoas, Recife e o Rio de Janeiro, integrante de academias literárias e posteriormente radicado em Santos, o poeta manteve a literatura como eixo de sua vida. Seus versos, ao serem musicados por Rachel Peluso, ganharam também outra forma de permanência na memória cultural.
*Pesquisador, colecionador e escritor.








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