Por Duse Leite*
Junho chegou. E com ele vieram as bandeirolas, o milho, a canjica, o forró e as lembranças.
Talvez seja a idade. Talvez seja a saudade. Mas tenho a impressão de que o ciclo junino de hoje é muito diferente daquele que conheci.
Naquele tempo, não existiam grandes estruturas nem efeitos especiais. A festa acontecia no terreiro, na rua, na calçada. Os vizinhos se conheciam pelo nome e não precisavam de convite para participar. Bastava ouvir uma sanfona tocando para saber onde estava o arrasta-pé.
As quadrilhas eram simples. O casamento matuto arrancava gargalhadas. Ninguém se preocupava com figurinos luxuosos ou coreografias impecáveis. O que importava era a alegria do encontro.
Hoje, assisto às apresentações e fico admirada com tanto talento. São espetáculos grandiosos, com roupas sofisticadas, iluminação, cenários e performances que exigem meses de preparação. É bonito de ver. Muito bonito.
Mas, às vezes, confesso que sinto falta do improviso.
Sinto falta da fogueira acesa na porta de casa, do forró pé de serra que fazia a gente dançar sem pressa, da simplicidade que transformava qualquer rua em um arraial.
Não estou dizendo que o São João de antigamente era melhor. Talvez fosse apenas diferente. As festas acompanham o tempo, assim como nós.
Mas, sempre que vejo uma quadrilha moderna cruzar o salão como um grande espetáculo, procuro, no meio das luzes e dos brilhos, aquela menina vestida de chita, com duas tranças no cabelo e um sorriso no rosto, esperando a sanfona começar.
Talvez ela ainda esteja lá.
E talvez seja por isso que o ciclo junino continua emocionando tanta gente: porque, no fundo, cada um de nós passa o mês de junho procurando um pedaço do seu próprio São João.
*Funcionária pública e jornalista






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