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Empresas usam inteligência artificial para justificar demissões, aponta pesquisa

por | 14 jun, 2026

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A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas como argumento para explicar demissões e congelamentos de vagas, mesmo quando seu impacto direto sobre o emprego ainda é limitado. É o que revela uma pesquisa realizada pela Resume Templates com mil gestores de contratação nos Estados Unidos.

Segundo o levantamento, 59% das empresas admitem destacar o papel da IA ao comunicar cortes de pessoal. Desse total, 17% afirmam atribuir diretamente as demissões à tecnologia, enquanto 42% dizem utilizar essa justificativa apenas parcialmente.

Apesar do discurso, os dados indicam que a substituição efetiva de trabalhadores por sistemas automatizados ainda ocorre em escala reduzida. Apenas 9% dos gestores afirmaram que determinadas funções foram completamente substituídas pela inteligência artificial. Outros 45% disseram que a tecnologia reduziu parcialmente a necessidade de novas contratações, enquanto percentual idêntico relatou impacto pequeno ou inexistente sobre o tamanho das equipes.

Para a consultora-chefe de carreira da Resume Templates, Kara Dennison, associar mudanças organizacionais à inovação tecnológica costuma gerar uma percepção mais positiva do que atribuí-las a dificuldades financeiras. “A IA sugere progresso em vez de problemas”, afirmou.

Segundo a especialista, a estratégia pode reforçar a imagem de modernização e planejamento das empresas, mas corre o risco de provocar desconfiança caso os trabalhadores não percebam mudanças concretas provocadas pela tecnologia em suas atividades.

Embora o levantamento mostre que 55% das empresas pretendem realizar demissões ao longo de 2026, a maioria também prevê novas contratações. Cerca de 92% dos entrevistados afirmaram que planejam ampliar seus quadros de funcionários, indicando um cenário de reorganização interna mais do que de retração generalizada do mercado de trabalho.

Entre os principais fatores apontados para os cortes estão o impacto da inteligência artificial, citado por 44% dos gestores, reestruturações organizacionais (42%) e restrições orçamentárias (39%).

A pesquisa também identificou quais competências seguem mais valorizadas pelas empresas. A capacidade de resolver problemas lidera a lista, seguida pela facilidade de aprender novas tecnologias, comunicação, adaptabilidade e trabalho em equipe. O conhecimento de ferramentas de inteligência artificial apareceu atrás de todas essas habilidades, sendo mencionado por 31% dos gestores.

Realizado em dezembro de 2025, o levantamento sugere que, embora a inteligência artificial esteja transformando processos e influenciando estratégias corporativas, seu efeito sobre o emprego ainda é mais complexo do que a narrativa adotada por muitas empresas ao anunciar cortes de pessoal.

*Com Olhar Digital

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