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Cinema alagoano vive seu melhor momento: mais empregos, mais filmes e presença internacional

por | 27 jul, 2025

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Reprodução

Atualmente, Alagoas possui 74 produtoras registradas na Ancine, responsáveis por uma diversificada produção que inclui 19 longas-metragens, 3 séries de TV, 9 telefilmes e mais de 100 curtas-metragens. Esse volume demonstra não só o vigor do mercado local, mas também o amadurecimento técnico e artístico dos profissionais envolvidos.

No âmbito internacional, o cinema alagoano tem conquistado espaços relevantes. Em 2024, o curta-metragem “As Filhas do Mangue”, dirigido por Stella Carneiro, foi selecionado para a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes, um dos principais eventos do cinema mundial. Essa conquista simboliza a crescente inserção do estado no circuito global do audiovisual.

Além disso, em 2025, pelo menos oito profissionais alagoanos – entre diretores, produtores e atores – marcaram presença no festival, ampliando o intercâmbio cultural e comercial.

Stella Carneiro recebe prêmio em Portugal | Divulgação

Um dos nomes que simbolizam essa expansão é Laís Gomes, diretora e roteirista que integra o novo ciclo do cinema alagoano. Seu curta-metragem “Infantaria” (2022), que aborda a infância em territórios periféricos com olhar sensível e político, foi selecionado para festivais importantes como o Festival Internacional de Curtas de São Paulo (Kinoforum) e o Cine Ceará, consolidando sua projeção nacional. Laís também tem participação ativa em mostras como a Carambola Mulheres+, voltada à produção audiovisual de mulheres e pessoas não-binárias no Nordeste.

Cena de Infantaria, de Laís Gomes | Reprodução

Além da carreira como realizadora, ela atua na formação de novos cineastas, promovendo oficinas e atividades educativas que ampliam o acesso ao audiovisual em comunidades alagoanas.
No cenário nacional, outras produções locais vêm ganhando destaque em importantes premiações.

O curta “Diafragma” recebeu indicação ao Prêmio Grande Otelo em 2024, consolidando a qualidade da animação produzida no estado. Ao mesmo tempo, iniciativas como o edital de incentivo público à produção audiovisual em Maceió, que possibilitou o lançamento do longa “Cavalo” em 2021, revelam a importância do fomento público para o desenvolvimento do setor.

O fortalecimento do cinema alagoano está diretamente ligado às políticas públicas estruturadas nos últimos anos. Em 2019, o investimento público alcançou cerca de R$ 9 milhões, distribuídos entre editais estaduais, municipais e federais, contemplando produções, cineclubes e formação profissional. Agora, em 2025, o estado está habilitado para captar até R$ 30 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual da Ancine, com contrapartida local de R$ 6 milhões – um volume inédito de recursos que promete acelerar a produção audiovisual e a geração de emprego.

Desafios ainda existem

Apesar desses avanços, o cinema alagoano encara desafios para garantir a sustentabilidade de seu crescimento. A consolidação dos Arranjos Regionais e a capacitação contínua de profissionais são essenciais para que os investimentos se traduzam em desenvolvimento econômico e cultural duradouro. O fortalecimento de parcerias entre governo, setor privado e agentes culturais será fundamental para a manutenção desse ciclo virtuoso.

Em síntese, Alagoas passa por uma transformação significativa em seu audiovisual, projetando-se como um polo em ascensão que alia talento local, políticas públicas efetivas e visibilidade internacional, abrindo novas perspectivas para o futuro do cinema no estado.

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