Por Mácleim Carneiro*
São 140 páginas que o leitor irá consumir em dois tempos, como quem reúne amigos e amigas em qualquer cidadezinha do interior, para uma tarde de prosa na calçada da porta de casa, acomodados naquelas cadeiras de balanço coloridas, feitas de fios de plástico que parecem macarrão, curtindo a brisa e o tempo moroso. Este livro é tão leve e saboroso, que dá até para imaginar, entre um assunto e outro, um pastelzinho de fubá, como aperitivo.
É assim que se desenvolve a prosa do autor e jornalista Marcelo Firmino, num tom coloquial, com a simplicidade envolvente de quem vivenciou os fatos narrados por ele. Porém, apesar do seu protagonismo, o autor não carrega um pingo sequer nas cores da arrogância nem do cabotinismo, tão comuns à certas autobiografias. Pelo contrário, os acertos e desacertos, narrados na primeira pessoa, adquirem tons absolutamente semelhantes, na medida em que o autor relata os fatos de maneira isonômica, sejam êxitos ou rebordosas.
Registro Iconográfico
Os causos narrados por Marcelo Firmino obedecem a uma cronologia apropriada e vão formatando sua evolução profissional, dentro e nos meandros do jornalismo em Alagoas. Sobretudo, numa época difícil para o exercício dessa profissão, onde a liberdade de expressão era duramente cerceada por uma cruel ditadura militar, que ceifou vidas e vozes.
Outra abordagem expressiva deste livro é o mister prestado por Marcelo Firmino à memória de alguns dos maiores ícones do jornalismo alagoano, na figura de, por exemplo, Dênis Agra, Freitas Neto e tantos outros. Homens e mulheres que alicerçaram a construção do sindicalismo e da luta de classe por direitos meritórios a essa profissão tão significativa à “formação da consciência cidadã e responsabilidade social”.
Além disso, em o ‘Gato Gordo Além do Telhado’, iremos encontrar algo que já não existe mais: a descrição, por meio dos fatos, do clima, da camaradagem e algumas discórdias, é claro, que fervilhavam o ambiente das redações dos jornais e demais veículos de comunicação do aquário. De quebra, Marcelo Firmino ainda nos oferta um belo e importante registro iconográfico, com alguns momentos e personagens que fizeram a história e o brilhantismo do jornalismo alagoano da era moderna.
No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!!!
(*) Jornalista, cantor e compositor.







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