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Dos livros que li

por | 22 nov, 2025

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Por Mácleim Carneiro 

O São João em Alagoas: De festejo pré-moderno a espetáculo pós-tradicional (Bruno César Cavalcante)

 

Aos que percebem e são críticos do que se tornou, ou foi levada a tal condição, as festas juninas em Alagoas, sobretudo, no aquário da era Jotaglacê, em apenas 77 páginas, Bruno César Cavalcante nos oferta argumentos analíticos, históricos e esclarecedores, para que possamos entender como chegamos até essa bagaça excludente do entretenimento mercadológico eleitoreiro.

 

A partir deste livro, ficará fácil fundamentarmos todo o nosso empirismo retórico e a insatisfação com a descaracterização das festas juninas no aquário.

 

Portanto, trata-se de um livro fundamental para pessoas como eu, que, apesar de não ser um saudosista e muito menos conservador, percebo claramente o proposital esgarçamento cultural de algumas tradições inerentes à essa época festiva, tão significativa para o povo nordestino.

 

Bruno César, por meio de várias referências literárias e obras documentais, volta até o século XIX e, a partir de lá, começa a desvendar todas as características desses festejos que, através dos tempos, foram sofrendo transformações e até mesmo sucumbindo, como práticas dessas festas. A exemplo das batalhas de fogos e busca-pés, que já foram a atividade central dos festejos juninos.

 

Outro ponto importante, que o autor traz à luz, é a questão da tradicionalidade “não passar de uma discursividade de motivações políticas e eleitoreiras imediatas, distante de espelhar um programa de política cultural, ou seja, da elaboração de um produto cultural próprio a ser estimulado e promovido.”

 

E nos revela, por meio do sociólogo britânico Anthony Giddens, que “as tradições são sempre propriedades de grupos, comunidades ou coletividades”, e que “as tradições não são uma característica do comportamento individual do modo como os hábitos o são.”

 

Após demonstrar como os coletivos artísticos são relegados a um segundo plano ou até mesmo excluídos da circularidade cultural, inclusive geograficamente, o autor afirma, categoricamente: “como tal, são incapazes de fazer frente à forma autocrática de gestão pública na esfera institucional das políticas culturais.”

 

Por fim, foi extremamente prazeroso ratificar o que escreveu o professor Rafael de Oliveira, sobre a prosa do autor, no prefácio de ‘O São João em Alagoas’: “Seu estilo narrativo consegue deixar explícitos os processos políticos, econômicos e sociais que deram alicerce às transformações vivenciadas pelas festividades juninas; sua prosa produz imagens que evocam memórias afetivas nos leitores.” O livro já está na praça e foi lançado durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, pela Edufal.

 

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!!!!🎶🎶🎶

 

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