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Por Geraldo de Majella*
O ABC das Alagoas: Dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico de Alagoas (Brasília, 2006), de Francisco Reinaldo Amorim de Barros, ultrapassa a condição de simples dicionário biobibliográfico. Com mais de 15 mil verbetes, a obra não apenas cataloga informações; ao reunir nomes, instituições, lugares e acontecimentos, constrói uma narrativa possível sobre quem compõe e como se forma a história de Alagoas.
Como toda enciclopédia, realiza escolhas: seleciona entradas, define relevâncias e estabelece conexões, hierarquizando temas e personagens. Nesse gesto editorial reside um poder simbólico, o de contribuir para a configuração da memória pública, ao fixar presenças, ampliar visibilidades e, por vezes, evidenciar ausências.
Mais do que um repositório de dados, o ABC das Alagoas funciona como instrumento de interpretação histórica, pois organiza o conhecimento de forma sistemática e estabelece critérios que orientam a compreensão da formação social, política e cultural do estado.
Desde a primeira edição, em formato impresso, e posteriormente também em versão digital, a obra assumiu a ambição de sistematizar informações dispersas, oferecendo base segura a pesquisadores, jornalistas e memorialistas. Ao padronizar dados e registrar trajetórias, reduziu lacunas documentais e consolidou-se como referência para os estudos sobre Alagoas.
Sua trajetória editorial demonstra que a memória é um campo em permanente construção. Na edição inaugural não havia verbetes dedicados a líderes sindicais nem a sindicatos como instituições representativas dos trabalhadores. Ao ser alertado sobre essa ausência, o autor reconheceu a lacuna e, nas edições seguintes, inclusive na versão digital, incorporou diversos registros ligados ao movimento sindical. O gesto ampliou o alcance social do livro e evidenciou abertura ao diálogo e à revisão crítica.
Esse reconhecimento público ganha novo significado na quarta-feira, dia 25, às 10 horas, quando o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) homenageará o autor com a comenda Jayme de Altavila, in memoriam.
(*) Historiador e jornalista.




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