Por Mácleim Carneiro*
Não por mera coincidência, temos a tendência em associar a palavra “gênio” aos grandes nomes do passado, porque, de fato, suas obras foram e serão eternas e geniais.
No entanto, raramente temos essa mesma possibilidade de nomenclatura para criadores contemporâneos, sem cair na banalidade desmedida dessa expressão, tão imprecisa hoje em dia.
O Campeão, o Mestre, o Bruxo de Lagoa da Canoa foi uma rara exceção.
Hermeto Pascoal foi a prova viva de que ainda podemos identificar gênios contemporâneos.
Não, não cheguei a fazer parte do círculo de amizades do genial alagoano Hermeto Pascoal. Embora, todas às vezes em que nos encontramos, ele alegremente me chamava de conterrâneo.
Porém, tenho a honra e o privilégio de, agora, diante da realidade de sua partida, poder relembrar de alguns bons momentos de interação com esse ícone da música mundial.
Momentos aqui no aquário, onde tive a oportunidade de entrevistá-lo (foto), por mais de uma vez, ou quando participamos do Programa do Jô e depois de um show no Centro Cultural São Paulo.
Ou até mesmo em sua residência, no Jabour, onde ele me contou que, após a apresentação no Jô, onde tocamos a música Internet Coco, as pessoas falavam para ele: “Hermeto, gostei daquela música sua, que você tocou com aquele pessoal de Alagoas”. Então, ele me disse que respondia: “Não, aquela música não é minha”. E completou: “Mas se estão achando que a música é minha é porque a música é boa”.
Terei sempre a lembrança física do genial Hermeto, todas às vezes em que eu tocar o meu Takamine, made in Japan, que adquiri dele, após ele ter trazido de uma de suas turnês pela Terra do Sol Nascente.
Todavia, paradoxalmente, não procurarei lembrar do Campeão, do alagoano genial, pois, como ele mesmo disse, em uma fala que tenho gravada na abertura da música Batuta, no disco Internet Coco: “Eu nunca esqueço disso porque não procuro lembrar. Quem procura lembrar é porque já esqueceu”.
NO +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!!!🎶🎶🎶
(*)É jornalista, músico, cantor e compositor







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