quarta-feira, 24 junho 2026
Nuvens dispersas
Maceió
26°C
Nuvens dispersas
Nuvens dispersas
Maceió
26°C
Nuvens dispersas

Quando a pandemia passar vou visitar Penedo

por | 7 jul, 2020

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Convento e Igreja Santa Maria dos Anjos

Os dias estão longos durante a pandemia e demoram a passar. A criatividade, depois de tanto tempo isolado em casa, vai se esgotando. Entram em cena os planos para o pós-pandemia. Um deles é passar alguns dias em Penedo (AL), cidade barroca localizado no baixo São Francisco.

O conjunto arquitetônico da cidade ribeirinha é um monumento a céu aberto, como são todas as cidades coloniais: museus, igrejas, convento, teatro, o casario representativo de várias épocas que resiste ou com pouca modificação, as ruelas estreitas, os becos e as ruas de paralelepípedos mantêm a memória do antigo burgo, porta de entrada para o sertão das Alagoas.

O glamour aristocrático é uma marca do passado em que a elite econômica, ou “os senhores da cidade”, como disse o historiador Francisco Alberto Sales, no seu Arruando para o Forte, construiu “sobrados modernos, marcados pelo ecletismo dos inícios do século XX”.

O chalé dos Loureiros é o símbolo da belle époque penedense, de clara influência francesa, adornado com elementos do classicismo e do neoclassicismo. O chalé foi construído por Joaquim A. Loureiro, engenheiro encarregado pelas obras de implantação do serviço de abastecimento de água de Penedo.

Sales diz que o chalé dos Loureiros “guarda profundas semelhanças com o chalé do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, abrigo do escritor Machado de Assis, que os cariocas não tiveram o cuidado de preservar”.

O escritor Jorge Amado, em Navegação de Cabotagem, narra quando esteve pela primeira vez em Penedo, em 1933, para conhecer Graciliano Ramos: “O Conde Baependi deixou-me em Penedo, desde então uma das minhas cidades preferidas. De quando em quando tomamos o carro, Zélia e eu, vamos dormir em Penedo para ver a manhã nascer sobre o rio São Francisco, trazida nas barcaças e nas canoas, andar em meio ao casario, parar à sombra das igrejas e dos conventos. Certa feita levamos conosco nossa amiga Antoinette Halley, editora tcheca, deslumbrou-se em tcheco e em francês: Piekne krasniet! Oh la la!”.

Uma cidade com essa magia, encantamento e tão perto do meu isolamento, sem dúvida será o meu primeiro destino. A pandemia deixará sequelas em cada um de nós, ninguém escapará; são sequelas de guerra, além da tragédia de milhares de mortos que as famílias jamais esquecerão, mas estas terão de levar suas vidas adiante, derramando os seus prantos.

Desejo que o flagelo da pandemia termine e que a humanidade possa sorrir de contentamento, abraçar-se, dançar e caminhar de mãos dadas.

Eu e Vânia, quando tudo passar, vamos arruar, à toa, pelo Penedo barroco, a subir rua e descer becos, batendo perna como dois sem-destino, parando nas igrejas centenárias a ouvir o som dos sinos.

Igreja Nossa Senhora das Correntes e Museu Paço Imperial

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *