Por Mauricio Sarmento
A recente reforma administrativa realizada pelo governador Paulo Dantas reacendeu uma chama de esperança entre as vítimas do maior crime ambiental e humano já registrado em Maceió. A troca de nomes em duas pastas estratégicas Meio Ambiente e Recursos Hídricos, e Mulher e Direitos Humanos pode significar mais do que uma simples mudança de titulares. Para quem luta por reparação e justiça contra a Braskem, trata-se de uma oportunidade de reconstruir o diálogo com o Estado e de romper com uma fase marcada pela omissão e pelo distanciamento.
No Meio Ambiente, a substituição de Gino César por Judson Cabral traz novas expectativas. A gestão anterior foi marcada pela apatia diante de um crime que devastou 17 hectares de manguezais, transformando paisagens e modos de vida. A secretaria limitou-se a relatórios burocráticos que, em muitos casos, soaram mais como defesa da Braskem do que como instrumento de enfrentamento em favor das comunidades atingidas. Faltou protagonismo, coragem política e compromisso real com a proteção ambiental.
Na Secretaria da Mulher e Direitos Humanos, a mudança de Maria Silva para Marcelo Nascimento também sinaliza um possível recomeço. Em um contexto em que até mesmo o Conselho Nacional de Direitos Humanos emitiu um relatório contundente em defesa das vítimas, a secretaria estadual permaneceu distante, incapaz de se colocar ao lado dos atingidos e de cumprir seu papel institucional de acolhimento, escuta e articulação. Essa ausência foi sentida de forma dolorosa pelas famílias deslocadas e pelas comunidades que perderam seus lares, seus laços sociais e sua dignidade.
As vítimas da Braskem não pedem favores. Exigem apenas o que lhes é de direito: reconhecimento, reparação justa e políticas públicas que assegurem condições de vida digna. Para isso, é imprescindível que as novas gestões estejam comprometidas com a verdade, com a defesa dos bens ambientais e, sobretudo, com os direitos humanos.
A chegada de nomes com histórico mais próximo das causas sociais pode significar uma inflexão. Judson Cabral carrega consigo uma trajetória política marcada pelo diálogo e pela defesa da coletividade. Marcelo Nascimento tem experiência em pautas sociais que podem contribuir para aproximar o Estado das demandas humanas que se impõem no caso Braskem.
Ainda é cedo para comemorar. O que se tem, por enquanto, é expectativa. Mas é uma expectativa viva, nascida da necessidade de que o Estado assuma a sua responsabilidade não apenas como mediador, mas como agente de defesa do povo alagoano. As vítimas da Braskem seguem vigilantes, esperançosas de que essas mudanças não sejam apenas formais, mas que representem, de fato, um novo tempo de compromisso e de reparação.






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