A história do leão Lenci reúne resgate, recuperação e um desfecho marcado pelas consequências de anos de negligência. Mantido durante grande parte da vida em uma pequena jaula de concreto no Safari Park Zoo, em Fier, na Albânia, o animal passou quase uma década em condições inadequadas antes de ser retirado do local e encaminhado para um santuário especializado na Holanda.
Nascido em 2010, Lenci viveu em um recinto descrito como pequeno, úmido e sem condições satisfatórias de higiene, alimentação e assistência veterinária. A situação só mudou em outubro de 2018, quando uma operação coordenada pelas autoridades albanesas e pela organização FOUR PAWS retirou 11 animais negligenciados do zoológico.
Entre os animais resgatados estavam Lenci e outros dois leões, Bobby e Zhaku. Inicialmente, os três foram levados para um zoológico em Tirana enquanto eram avaliados e recebiam os cuidados necessários para uma transferência internacional.
Em maio de 2019, Lenci finalmente chegou ao FELIDA Big Cat Sanctuary, em Nijeberkoop, na Holanda. A viagem desde Tirana durou 52 horas e percorreu quase 3 mil quilômetros.
No novo ambiente, o leão encontrou condições completamente diferentes das que havia conhecido durante anos. Pela primeira vez, passou a ter acesso a áreas com grama, areia, sol e espaço para explorar e se movimentar.
A transformação comportamental foi gradativa. Apesar de inicialmente demonstrar cautela, Lenci começou a explorar os espaços e a interagir com objetos utilizados nas atividades de enriquecimento ambiental.
Um dos sinais mais marcantes da recuperação foi o retorno de comportamentos naturais. O animal passou a brincar, demonstrar curiosidade e acompanhar as vocalizações de outros leões.
Lenci chegou a participar do que os cuidadores chamavam de “coro de leões”, rugindo ao lado de Bobby, Ivan-Asen, Masoud e Terez. Também passou a vocalizar pela manhã.
A recuperação, entretanto, não conseguiu apagar os efeitos provocados pelos anos de confinamento e falta de cuidados adequados.
Um dos problemas mais evidentes estava no olho esquerdo. Quando foi resgatado, Lenci apresentava uma inflamação grave na região. O tratamento conseguiu preservar o olho, mas ele permaneceu menor.
Além disso, danos nos nervos da face deixaram o focinho e a boca do animal assimétricos.
Poucos meses depois da chegada à Holanda, outro problema preocupou os veterinários. Lenci perdeu repentinamente a capacidade de permanecer em pé e apresentou dificuldades para movimentar as patas traseiras.
Exames identificaram uma hérnia, embora não tenha sido possível determinar uma causa definitiva para a perda de controle dos membros posteriores. Com medicamentos e monitoramento intensivo, o animal voltou a apresentar melhora.
As limitações físicas, contudo, continuaram sendo acompanhadas pela equipe do santuário.
Posteriormente, Lenci também passou a apresentar dificuldades para comer e sinais de dor. Os veterinários descobriram um cisto que havia se desenvolvido na região da mandíbula e avançado até a cavidade nasal.
A lesão foi retirada em um procedimento cirúrgico, seguido de limpeza da área afetada e tratamento com antibióticos.
Mesmo após a intervenção, novos exames encontraram alterações na mesma região. Durante uma avaliação sob anestesia, Lenci chegou a morder a própria cauda e provocou uma lesão que também precisou ser tratada.
O quadro mais grave, porém, estava relacionado à região nasal. Os veterinários identificaram uma inflamação crônica e extremamente dolorosa, que apresentava caráter progressivo.
Segundo os registros da FOUR PAWS, os tratamentos disponíveis não ofereciam uma perspectiva de solução duradoura para o problema. A equipe passou então a enfrentar uma decisão difícil diante da possibilidade de sofrimento contínuo.
Em fevereiro de 2021, Lenci foi submetido à eutanásia.
O leão morreu menos de dois anos depois de chegar ao santuário, mas, durante esse período, experimentou uma mudança significativa em sua rotina. Depois de anos restrito a uma superfície de concreto, conseguiu explorar novos ambientes, brincar, movimentar-se e voltar a rugir ao lado de outros leões.
O caso de Lenci também expõe as consequências de manter animais selvagens em instalações inadequadas. Embora o resgate tenha permitido melhorar sua qualidade de vida e recuperar parte de seus comportamentos naturais, os problemas físicos acumulados ao longo dos anos de negligência permaneceram.
A história terminou de forma trágica, mas o período vivido por Lenci no santuário mostrou que, mesmo após anos de sofrimento, animais resgatados podem voltar a demonstrar comportamentos que haviam sido comprometidos pelo confinamento e pelas condições precárias.
Com o portal Click Petróleo e Gás










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