Uma árvore brasileira que chegou ao Havaí em 1825 para ajudar na alimentação da população se transformou em uma ameaça às florestas tropicais do arquipélago. Conhecido como araçá, o Psidium cattleyanum ocupa atualmente cerca de 475 mil hectares e compete com espécies nativas.
Sem predadores naturais no ambiente havaiano, a planta se espalhou por vales e encostas, formando áreas densas e alterando a composição da vegetação.
Para conter o avanço, pesquisadores apostam no controle biológico. Um dos principais aliados é o Tectococcus ovatus, inseto originário do Brasil que ataca exclusivamente o araçá.
O inseto provoca pequenas galhas nas folhas, onde vive e se reproduz. Após ser introduzido na região, consegue se espalhar pela copa das árvores sem a necessidade de intervenção constante.
A estratégia, porém, enfrenta um desafio: alcançar áreas remotas da floresta. Foi nesse ponto que os drones passaram a ser utilizados.
Testes mostraram que um sistema instalado em um drone conseguiu tratar cada árvore em cerca de 2,8 minutos, contra 12 minutos pelo método manual. Após um ano, 63% das árvores tratadas pelo equipamento aéreo haviam sido colonizadas pelo inseto, ante 38% das tratadas com uma pértiga.
Pesquisadores também testaram drones maiores, chamados Kūhualūlū, equipados com 16 e 54 unidades de lançamento.
Nos ensaios, o modelo acertou os alvos em 71,6% das tentativas, enquanto o lançamento realizado por helicóptero teve precisão de 68%.
Além disso, o drone manteve os lançamentos mais próximos dos pontos definidos. A distância máxima registrada foi de 2,83 metros, contra 8,24 metros no caso do helicóptero.
O estudo publicado no Journal of Economic Entomology indica que a aplicação aérea pode ser especialmente útil em áreas sem estradas ou trilhas.
Para alcançar toda a extensão estimada da infestação, os pesquisadores calculam que seriam necessários milhares de lançamentos e dezenas de horas de operação aérea.
Apesar dos resultados, o controle do araçá ainda deve levar anos. A espécie permanece amplamente espalhada pelo Havaí, e os cientistas avaliam que o uso de drones pode ser uma das alternativas mais eficientes para chegar às regiões de difícil acesso.






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