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Ataques contra desembargadora Natália França expõem silêncio da OAB-AL

por | 19 set, 2026

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A ausência de uma manifestação pública da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL) sobre os ataques dirigidos à desembargadora eleitoral Natália França Von Sohsten passou a chamar atenção no meio jurídico alagoano.

Integrante do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), Natália foi alvo de publicações nas redes sociais que questionaram sua atuação profissional a partir do vínculo de sua esposa, a advogada Ana Lydia de Almeida Seabra, com a estrutura do Executivo estadual. As publicações levantaram suspeitas de possível favorecimento ou interferência na atuação da magistrada.

Entidades de representação de mulheres na área jurídica, porém, contestaram as acusações e divulgaram manifestações de solidariedade às duas profissionais. A Associação de Mulheres Juristas de Alagoas (AMJA), a Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica – Comissão Alagoas (ABMCJ-AL) e a Associação das Mulheres Advogadas de Alagoas (AMADA) se posicionaram sobre o episódio.

As entidades destacaram que questionamentos sobre a atuação de uma autoridade são legítimos quando acompanhados de elementos concretos, mas defenderam que vínculos pessoais ou profissionais, isoladamente, não comprovam favorecimento, interferência ou quebra de imparcialidade.

A AMADA classificou a exposição de Natália e Ana Lydia como uma forma de violência de gênero contra mulheres que ocupam espaços de poder. Já as demais associações defenderam que a atuação da magistrada seja avaliada a partir de seus atos, decisões e fundamentos jurídicos, e não de sua vida pessoal.

O caso também gerou questionamentos sobre o uso da orientação sexual e da relação homoafetiva da desembargadora como elemento de desqualificação pública.

Até a publicação da reportagem da Gazeta de Alagoas, a OAB-AL não havia informado se adotaria alguma providência ou emitiria nota sobre os ataques. A GazetaWeb também registrou que a entidade não havia respondido aos questionamentos encaminhados pela reportagem.

Natália França possui histórico de atuação na própria OAB-AL. Em 2021, integrou a chapa que concorreu à direção da entidade como candidata à vice-presidência. Documentos oficiais da OAB também registram sua participação na diretoria da instituição em períodos anteriores.

O episódio ocorre em meio ao debate sobre os limites entre a fiscalização da atuação de autoridades públicas e a exposição de aspectos da vida pessoal como argumento para questionar decisões ou a imparcialidade de uma magistrada.

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