Caixas cenográficas cobertas por reproduções de cédulas de dinheiro apareceram neste sábado (19) em diferentes pontos de Maceió com mensagens sobre os R$ 97 milhões aplicados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em títulos do Banco Master.
A intervenção foi registrada em regiões como a orla, o Centro e o Farol. Uma das estruturas foi instalada no Terminal do Benedito Bentes. As peças fazem referência às aplicações realizadas durante a gestão do então prefeito João Henrique Caldas, o JHC. A autoria da ação não estava identificada de forma visível.
A ação ocorre em meio à repercussão da investigação da Polícia Federal sobre os investimentos realizados pelo Iprev. Os aportes foram feitos em duas etapas: R$ 80 milhões, em dezembro de 2023, e R$ 17 milhões, em maio de 2024. Os recursos foram utilizados na compra de Letras Financeiras subordinadas emitidas pelo Banco Master.
Segundo a PF, no momento do primeiro investimento, de R$ 80 milhões, o Banco Master ainda não fazia parte da lista do Ministério da Previdência Social de instituições habilitadas a receber recursos de regimes próprios de previdência. O banco teria sido incluído nessa relação somente em 2024.
A investigação também aponta que a Política Anual de Investimentos do Iprev estabelecia estratégia-alvo de 0% para ativos de emissão bancária em 2023. Para 2024, o percentual previsto era de 5%. Ainda segundo a PF, a exposição do instituto ao Banco Master chegou a aproximadamente 20% do patrimônio considerado na apuração.
Os investigadores também questionam a existência de estudos técnicos independentes para justificar a escolha do banco, além de aspectos relacionados a risco, liquidez e alternativas disponíveis no mercado. A PF apura possíveis irregularidades nas operações e outros fatos relacionados à aplicação dos recursos.
A investigação levou à realização de buscas em Maceió e ao bloqueio de até R$ 97 milhões em bens de investigados, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A apuração ainda está em andamento e as suspeitas investigadas não representam, por si só, condenação dos envolvidos.
Em relação aos recursos, o Iprev informou anteriormente que não havia prejuízo consolidado decorrente das aplicações e que o crédito estava habilitado no processo de liquidação do Banco Master. O instituto também afirmou que os R$ 97 milhões correspondiam a aproximadamente 8% de seu patrimônio total.
Com a CBN Maceió







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