Cólicas, refluxo, alterações nas fezes, irritabilidade e problemas de pele em bebês costumam despertar a preocupação de muitas famílias e, frequentemente, levantam a suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV). No entanto, especialistas alertam que o diagnóstico não deve levar à interrupção da amamentação nem à exclusão de alimentos da dieta materna sem orientação médica.
Segundo o alergista e imunologista Renato Praxedes, o aleitamento materno pode ser mantido na maioria dos casos, mesmo quando há confirmação da alergia.
“A amamentação pode ser mantida em muitos casos. Quando existe uma relação entre a ingestão de leite de vaca pela mãe e os sintomas apresentados pelo bebê, pode ser necessária uma dieta de exclusão, mas ela deve ser indicada e acompanhada”, explica.
O médico destaca que sintomas como gases, cólicas, refluxo e alterações intestinais são comuns nos primeiros meses de vida e, isoladamente, não confirmam a presença da alergia.
“Existe hoje uma preocupação muito grande com a APLV, mas também existe o risco de atribuir qualquer sintoma do bebê à alergia. Isso pode levar a dietas extremamente restritivas para a mãe, ansiedade e até interrupção desnecessária da amamentação”, alerta.
Nos casos em que o bebê apresenta APLV e é alimentado exclusivamente com leite materno, proteínas ingeridas pela mãe podem passar para o leite e desencadear reações. Quando essa relação é comprovada, pode ser recomendada a retirada de leite e derivados da alimentação materna, sempre com acompanhamento profissional para preservar a saúde da mulher e da criança.
“Não basta simplesmente dizer para a mãe ‘retire o leite’. É preciso orientar, acompanhar e avaliar a resposta do bebê. A saúde materna também precisa ser considerada durante esse processo”, ressalta Praxedes.
Durante o Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo ao aleitamento materno, o especialista reforça que a informação é essencial para evitar decisões precipitadas.
“Quando uma mãe recebe um diagnóstico ou uma suspeita de APLV, ela precisa de orientação, não de culpa. O objetivo é tratar a criança, preservar sempre que possível o aleitamento e garantir que a mãe também esteja bem nutrida e segura durante esse processo”, conclui.







0 comentários