Um estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) revelou que mexilhões podem acumular microplásticos em seu organismo e atuar como uma das portas de entrada desses poluentes na alimentação humana. A pesquisa foi publicada na revista científica Ocean and Coastal Research e divulgada nessa segunda-feira (15).
Os pesquisadores concluíram que os moluscos não conseguem diferenciar microplásticos de microalgas, que constituem seu alimento natural. Como se alimentam filtrando a água do mar, os mexilhões acabam ingerindo partículas plásticas presentes no ambiente de forma indiscriminada.
Para chegar ao resultado, a equipe coletou exemplares da espécie Perna perna, conhecida como mexilhão-marrom, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Em laboratório, os animais foram submetidos a diferentes condições de alimentação contendo microalgas, microplásticos ou uma combinação dos dois elementos.
Segundo a bióloga marinha Raquel de Almeida Ferrando Neves, uma das autoras do estudo, os testes mostraram que os mexilhões não possuem mecanismos para distinguir partículas naturais das artificiais. Nos experimentos com mistura de alimento e plástico, os índices de consumo foram praticamente equivalentes, indicando ausência de seletividade.
A pesquisa acende um alerta sobre os riscos associados à poluição marinha. Além do plástico em si, as micropartículas podem transportar substâncias químicas contaminantes que se acumulam nos organismos filtradores e podem chegar à cadeia alimentar humana.
De acordo com os pesquisadores, o cozimento não elimina esse tipo de contaminação, diferentemente do que ocorre com alguns microrganismos e parasitas. Por isso, o consumo frequente de organismos expostos a ambientes poluídos pode aumentar a exposição humana a compostos potencialmente nocivos.
Os autores defendem a adoção de políticas públicas voltadas à redução do descarte de resíduos plásticos nos oceanos, além do monitoramento constante de áreas de maricultura e da qualidade ambiental das zonas costeiras. A avaliação é que o controle da poluição na origem é fundamental para proteger os ecossistemas marinhos e garantir a segurança alimentar das populações que dependem do consumo de frutos do mar.






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