A queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais para a Presidência da República voltou a alimentar o debate sobre a estratégia de sucessão política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a capacidade do bolsonarismo de ampliar sua liderança para além do núcleo familiar.
Levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta semana aponta recuo do parlamentar nas intenções de voto e aumento de sua rejeição. Em um eventual segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente de Flávio Bolsonaro. Já em cenários de primeiro turno, o senador registra perda de apoio em comparação com pesquisas anteriores.
Para a cientista política Rosimary Segurado, diretora do Coletivo Digital, os números refletem dificuldades enfrentadas pelo pré-candidato após desgastes recentes e reforçam uma característica recorrente do grupo político liderado por Jair Bolsonaro: a concentração das principais candidaturas dentro da própria família.
“A candidatura de Flávio Bolsonaro não é apenas a expressão da direita ou da extrema direita. Ela é o desejo de Bolsonaro. Ele quer alguém que seja seu, não quer alguém que represente a direita”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao programa Conexão BdF.
Segundo Segurado, o resultado da pesquisa demonstra uma tendência de enfraquecimento que ultrapassa a margem de erro e atinge principalmente os eleitores independentes, grupo considerado mais sensível aos acontecimentos políticos e menos identificado com o eleitorado fiel do bolsonarismo.
A pesquisadora também relaciona a queda do senador à repercussão de informações envolvendo sua relação com o Banco Master, tema que ganhou espaço no noticiário político nas últimas semanas.
Enquanto isso, Lula apresenta melhora gradual nos índices de aprovação do governo. De acordo com a pesquisa, a avaliação positiva da gestão federal cresceu em comparação aos levantamentos anteriores, reduzindo a diferença entre aprovação e desaprovação.
Na avaliação de Segurado, medidas econômicas e sociais anunciadas recentemente pelo governo, como mudanças na tributação do Imposto de Renda, o programa Desenrola e o debate sobre o fim da escala 6×1, podem estar contribuindo para a recuperação da popularidade presidencial.
A cientista política também observou que outros nomes cotados para disputar a Presidência em 2026, como governadores de oposição, ainda enfrentam dificuldades para construir um espaço político próprio sem depender diretamente do eleitorado bolsonarista.
Para ela, o cenário eleitoral já influencia o comportamento do Congresso Nacional, onde temas de forte apelo popular e pautas de segurança pública têm sido incorporados ao debate político com vistas à disputa presidencial do próximo ano.






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