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Entre a burocracia política e a retomada da luta sindical

por | 16 jun, 2026

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Por Geraldo de Majella*

O movimento sindical que representa os servidores públicos de Maceió ainda não dimensionou a gravidade da situação a que foi levado o Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (IPREV). Durante a gestão do ex-prefeito João Henrique Caldas (JHC) e do então diretor-presidente Ronney Mota, nomeado para o cargo pelo prefeito, cerca de R$ 117 milhões do patrimônio previdenciário foram aplicados em letras financeiras hoje tratadas como “letras podres” do Banco Master.

Segundo o próprio IPREV, esse montante corresponde a cerca de 10% do patrimônio do instituto, estimado em R$ 1,4 bilhão. São recursos destinados a garantir o pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores municipais. Diante da gravidade do caso e dos riscos que recaem sobre essa reserva previdenciária, causa estranheza a tímida reação das entidades sindicais na defesa de um patrimônio que pertence aos servidores.

Os dirigentes sindicais, ao se limitarem a notas públicas e entrevistas, não enfrentam o problema com a firmeza que a situação exige. O silêncio do ex-prefeito JHC e do atual prefeito Rodrigo Cunha dificilmente será rompido por manifestações formais. A gravidade do caso exige mais pressão política e a centralidade do tema no debate público.

© Rovena Rosa/Agência Brasil

O movimento sindical já demonstrou capacidade de mobilização e enfrentamento quando os direitos dos servidores estiveram ameaçados. A ocupação dos espaços físicos e simbólicos da administração municipal, aliada à mobilização da categoria, pode produzir resultados mais efetivos.

A tradição de ocupar, lutar e produzir resultados políticos, que marcou importantes lutas do sindicalismo, parece hoje adormecida justamente em um momento que exige ação e firmeza na defesa do patrimônio previdenciário dos servidores.

A sensação que paira no ar é a de que parte dos dirigentes sindicais está envolta pela burocracia política que o próprio movimento sindical tanto combateu no passado. A cautela excessiva, a dependência de notas públicas e a ausência de mobilizações mais contundentes contrastam com a tradição de luta que marcou a história dos servidores públicos.

Se houver um rompimento com essa lógica burocrática, será possível reconstruir a capacidade de mobilização da categoria e ampliar a pressão política por respostas. A defesa de um patrimônio previdenciário construído ao longo de décadas exige mais do que notas e manifestações protocolares. Exige organização, presença e ação coletiva. Dessa mobilização pode surgir a força necessária para alcançar resultados concretos e uma vitória política em defesa dos servidores.

Ousar lutar, ousar vencer!

*Historiador e jornalista

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