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Estudo da Ufal aponta que 13% das mortes por câncer de pulmão nas capitais estão ligadas à poluição

por | 23 fev, 2026

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Foto: Divulgação

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) revela que mais de 13% das mortes por câncer de pulmão registradas nas capitais brasileiras têm relação direta com a poluição do ar. A pesquisa foi publicada na revista científica internacional Atmosphere e traz um panorama inédito sobre os impactos do material particulado fino (PM2.5) na saúde da população urbana.

O trabalho tem como primeiro autor o estudante de Medicina Albery Batista de Almeida Neto, sob orientação do professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS). A análise considerou dados de mortalidade por câncer de pulmão e índices de poluição atmosférica entre 2014 e 2023 nas 27 capitais brasileiras.

A pesquisa utilizou metodologia desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para estimar o número de mortes atribuíveis à exposição prolongada ao PM2.5 — partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea.

O estudante de Medicina Albery Batista de Almeida Neto | Divulgação

Exposição acima do recomendado

Os resultados indicam que praticamente todas as capitais apresentaram médias anuais de PM2.5 superiores aos níveis recomendados pela OMS. Ao todo, 97,41% das médias registradas ultrapassaram o limite internacional, e cerca de um terço superou também o padrão brasileiro vigente. O levantamento estima que 9.631 mortes por câncer de pulmão no período analisado estejam associadas à poluição atmosférica.

O rofessor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde | Divulgação

Cidades das regiões Sudeste e Sul concentraram os maiores índices de exposição. Em Maceió, a estimativa aponta 28 mortes relacionadas à poluição na última década, o que corresponde a aproximadamente 3% dos óbitos por câncer de pulmão na capital alagoana. Segundo o professor Flavio Rodrigues, os números do Nordeste são inferiores à média nacional, refletindo níveis relativamente menores de poluição quando comparados a outras regiões do país.

O professor Glauber Mariano, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Icat) | Divulgação

Formação médica e saúde ambiental

Para os pesquisadores, os dados reforçam a necessidade de integrar saúde ambiental à formação médica. “Ter um estudante de Medicina como primeiro autor de um estudo dessa magnitude mostra que a Ufal está formando profissionais capazes de dialogar com os grandes desafios globais da saúde”, destacou Flavio, que liderou a pesquisa.

O estudo contou ainda com a colaboração do professor Glauber Mariano, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Icat), além de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

De acordo com Rodrigues, a publicação consolida a Ufal como referência emergente em pesquisas sobre saúde ambiental e fortalece o debate sobre políticas públicas voltadas à prevenção do câncer e ao controle da poluição do ar no Brasil.

O artigo completo pode ser acessado no link.

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