O mês de junho marca a campanha Junho Roxo, iniciativa internacional voltada à conscientização sobre o lipedema, doença crônica que afeta principalmente mulheres e que ainda é frequentemente confundida com obesidade, retenção de líquidos ou características corporais naturais.
A mobilização busca ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e conscientizar a população sobre uma condição que pode causar impactos significativos na saúde física e emocional das pacientes.
Entre os principais sintomas do lipedema estão o aumento desproporcional do volume das pernas e dos braços, dor ao toque, sensação de peso nos membros, inchaço persistente, facilidade para o surgimento de hematomas e dificuldade de redução da gordura localizada mesmo com dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos.
Segundo a médica Luana Bonaparte, a falta de conhecimento sobre a doença ainda representa um dos principais obstáculos para o diagnóstico. “São mulheres que passaram grande parte da vida acreditando que estavam fazendo algo errado. Tentaram inúmeras dietas, restringiram alimentos, praticaram atividades físicas de forma excessiva e, mesmo assim, continuaram convivendo com dor, inchaço e insatisfação com o próprio corpo. O que elas não sabiam é que estavam lidando com uma doença crônica que precisa ser reconhecida e tratada adequadamente”, afirma.
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura, especialmente nos membros inferiores, e possui forte influência hormonal. A condição costuma surgir ou se agravar em períodos de mudanças hormonais importantes, como a puberdade, a gestação e a menopausa.

Assessoria
Além dos sintomas físicos, a doença pode afetar a saúde mental das pacientes. O desconhecimento sobre a condição e o estigma relacionado à aparência corporal frequentemente contribuem para problemas como ansiedade, baixa autoestima e isolamento social.
De acordo com a especialista, é importante compreender que o tratamento do lipedema não deve ser encarado apenas sob uma perspectiva estética. “Estamos falando de uma doença com bases inflamatórias, hormonais e metabólicas que afetam diretamente a qualidade de vida da mulher. O foco do tratamento deve ser a saúde, o controle dos sintomas e a melhora funcional, e não apenas questões estéticas”, destaca.
Atualmente, o tratamento é realizado de forma individualizada e multidisciplinar, podendo envolver acompanhamento médico, orientação nutricional, atividades físicas adequadas, terapias voltadas ao controle da inflamação e cuidados com o sistema linfático.
Embora não exista cura definitiva, especialistas ressaltam que o diagnóstico correto e o acompanhamento adequado podem proporcionar melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida. “Quando a paciente inicia um tratamento apropriado, observamos avanços importantes na dor, no inchaço, na mobilidade e na autoestima. O mais importante é que ela compreenda que não está sozinha e que existe tratamento”, afirma Luana Bonaparte.
A campanha Junho Roxo também busca combater a desinformação e incentivar mulheres que apresentam sintomas compatíveis com a doença a procurar avaliação especializada. Para a médica, o acolhimento é parte fundamental desse processo. “Muitas pacientes chegam fragilizadas, carregando anos de culpa e frustração. Quando entendem o que está acontecendo com seus corpos, elas passam a enxergar a doença de outra forma. Informação é o primeiro passo para a transformação”, conclui.
Realizada anualmente, a campanha reúne profissionais de saúde, pacientes e instituições em ações educativas voltadas à disseminação de informações, ao diagnóstico precoce e à promoção da qualidade de vida das pessoas que convivem com o lipedema.








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